Monday, January 12, 2015

Um Vulto na Penumbra


Clarice assistiu um filme impróprio no cinema.
Ela tem 11 anos e a película estava regulada para pessoas acima de 13. Entrou com a irmã mais velha e as primas. A fita tinha cenas violentas, o que deve tê-la deixado bastante impressionada.

Duas da manhã, durmo pesadamente e sinto uma mão me tocar o rosto.
 Abro os olhos e vejo aquela figura conhecida dissolvida na penumbra do quarto.

 - Pai, estou tendo um pesadelo.
Chego-me para o lado, puxo o edredon e ofereço o canto.
- Deita aqui, que papai lhe protege, digo flexionando o bíceps deficitário de musculatura.
Ela ri, deita-se ao meu lado, abraça-me e dorme imediatamente.

Passo a noite em claro.
Fico ali, guardando o sono de Clarice, de olho na janela, de olho em Liam Nesson.

.

4 comments:

Dois Rios said...

Que encanto de pai é você, Roberto! Clarice dormiu de amor.

Beijos,

Inês

d'Angelo Rodrigues said...

A cada vez que você menciona suas filhas, sua prosa se transforma em pinturas de encantadora delicadeza. Mais um lindo texto inspirado por uma de suas meninas.

Primeira Pessoa said...

sou um pai bem menor do que aquele que eu gostaria de ser, Inês.

mas tenho muito amor por elas.
todas as três.

beijão

r.

Primeira Pessoa said...

d'Angelo,
os filhos nos motivam muito, quero crer.
o amor de um pai, de uma mãe, é algo maior, transcende tudo. acende o olhar.
abração,

r.