Monday, October 2, 2017
Santo de casa não faz milagre
Romero Brito é um grande sucesso fora do Brasil. Sua obra está em aeroportos e paredes ilustres de todo o mundo. Em Miami, seus trabalhos acabaram se incorporando à paisagem quase caribenha do lugar.
Seus traços estão em monumentos e praças públicas, laterais de ônibus e letreiros luminosos. Virou um patrimônio local, como os flamingos dos Everglades e as palmeiras das quentes alamedas floridianas.
No Brasil, o pernambucano é criticado com ferocidade.
Seu trabalho é citado em piadas de mau gosto, especialmente na comunidade artística e nas rodas de intelectuais.
O argumento é que ele se repete e sua obra não instiga o pensamento, é irreflexivo.
Ao que tudo indica, ele não parece interessado no discurso artístico, nos problemas da contemporaneidade, na "problematização". Romero Brito é uma máquina de altíssima produção em franco funcionamento.
Alheio a tudo isto e aparentemente sem alimentar mágoas pelo descaso em seu próprio país, o artista se firmou no mercado internacional pelo que faz, e não pelo que diz fazer.
Não sou crítico de arte, mas acho que comparar sua obra à de Andy Warhol, como já fizeram alguns, que por isso foram metralhados em praça pública, não me soa como uma heresia, como me querem fazer crer. A veia pop de ambos e a disponibilização da obra para quem não tem dinheiro não me deixam mentir. Que seja este o caso, então, ainda que os entendidos os tratem como designers de produtos e não como artistas plásticos.
Romero Britto não precisa de defensores. E nao é isto o que faço aqui.
Uso-o como exemplo de brasileiro que se deu bem fora do Brasil, mas que não conta com o apreço de sua própria gente. E ele não está sozinho.
Querem outro exemplo?
O escritor Paulo Coelho, o segundo autor que mais vende livros no mundo.
Odiá-lo é o caminho mais fácil para garantir o status intelectual de quem o critica nas rodinhas mais descoladas.
Não meço o valor de sua obra. Não a conheço e careço de vocação crítica. O fato é que este carioca já vendeu 210 milhões de exemplares em todo o planeta, o que em muitos países o elevaria à condição de herói nacional.
Dizem que seu incrível sucesso é mais resultado de marketing, do que de uma boa pena. Falam de um conteúdo inócuo e oportunista, plantando falácias num cenário em que as pessoas buscam alternativas para a ausência de saídas epiritualizadas e até da omissão de Deus.
Por mais que ter sido empossado na cadeira de número 21 da Academia Brasileira de Letras soe como um prêmio de consolação, ele tem mais detratores do que fãs no Brasil.
Dizem que quem o lê jamais leria Schopenhauer ou Sartre. É natural. O Brasil anda mais para Wesley Safadão do que para Tom Jobim. E estes são os nossos tempos.
Publicado em mais de 150 países e traduzido para 66 línguas, o ex-parceiro de Raul Seixas em tantas canções não parece preocupado com isso. E tem absoluta razão.
Outro caso recente de brasileiro de sucesso internacional que não é unanimidade em casa é o do jogador Neymar Jr. É incrível o tanto que ele é criticado.
Trata-se de um jovem (apenas 25 anos) que venceu quase tudo o que disputou, tendo inclusive ajudado o país a conquistar um inédito ouro olímpico.
O jogador do PSG tem contra si a vida de farras fora dos gramados, a fama de baladeiro, mas dentro das quatro linhas é de uma competência e criatividade únicas. Não é à toa que é o jogador mais caro do mundo. Eu não gostaria que ele namorasse uma filha minha, é verdade, mas vejo nele um craque que ainda tem muito por onde crescer.
O gostar ou não gostar de uma personalidade é direito de cada um. Isso eu consigo compreender.
O que não é bacana é o fato de se olhar com uma lente mais severa para os nossos, como se o sucesso internacional fosse um benefício reservado apenas aos outros.
Numa absurda inversão de valores, muitos brasileiros dão ao trio acima citado o tratamento que deveriam dar à grande maioria dos políticos em atividade no país.
Monday, September 25, 2017
Ele não é um messias
Estou assustado com o ódio que tomou conta do Brasil e dos brasileiros.
A convivência entre as partes, antes pacífica, agora está fraturada e destrói sólidas amizades construídas ao longo dos anos. Eu mesmo fui vítima da intolerância reinante, perdendo o benefício do convívio com pessoas que sempre andaram de mãos dadas comigo e desfrutaram do meu gostar.
A convivência entre as partes, antes pacífica, agora está fraturada e destrói sólidas amizades construídas ao longo dos anos. Eu mesmo fui vítima da intolerância reinante, perdendo o benefício do convívio com pessoas que sempre andaram de mãos dadas comigo e desfrutaram do meu gostar.
Sou tolerante e respeito quem não tem o pensamento alinhado com o meu, mas confesso que fico absurdado quando vejo amigos próximos acendendo velas para Jair Messias Bolsonaro, como se ele fosse um salvador da pátria.
Respeito, claro. Mas discordo, veemente.
Estes meus amigos gostam do discurso bravateiro e o apontam como a panaceia para os males tupiniquins.
Esquecem-se do dia em que o país apostou as fichas em Fernando Collor de Mello, um homem que se auto-intitulava 'o caçador de marajás'.
Collor não apenas não cumpriu o prometido, como ainda se tornou um dos presidentes mais corruptos da história. Tão corrupto, que foi impichado, escorçado, expulso da presidência sob o coro inconformado dos caras-pintadas.
Bolsonaro não caçará ou achará nada, além de gasolina aditivada para jogar na fogueira do ódio.
Não achará a solução para o problema da corrupção.
Não estancará a sangria da violência.
Não curará nossas mazelas econômicas, pois não tem lastro para tanto.
Ele não será salvador de nada.
N-a-d-a!
Este ex-militar age no inconsciente coletivo como a ponta de um dedo bolinando a raiz escancarada do dente que dói. E nisto ele sabe o que faz.
Consegue até que alguns sintam saudade da ditadura, que foi um retrocesso do qual ainda não nos recuperamos completamente.
Ele percebeu que o brasileiro está cansado dos desmandos e maracutaias da classe política. E que o cidadão já não aguenta sofrer com tanta sacanagem.
O deputado tem consciência de que o crescimento de seus ideais está intimamente ligado à decepção e ao medo dos cidadãos.
Mensalões, petrolões, operações lava jato, satiagraha e tantas (tantas!) outras, que ardem na alma coletiva e tem efeito de gás paralisante.
Mensalões, petrolões, operações lava jato, satiagraha e tantas (tantas!) outras, que ardem na alma coletiva e tem efeito de gás paralisante.
Decepção com a classe política, cuja carne podre fede escancarada nos noticiários da televisão.
Decepção com as instituições.
Escárnio.
Nojo de tudo e de todos.
E o medo da chapa quente, que é circular sem correr riscos de violência ou morte pelas ruas desprotegidas do país.
Bolsonaro sacou que a decepção com figuras que outrora foram menestréis da esperança de melhores dias, tiveram seus nomes envolvidos em curriolas. Transformaram-se em adubo para soluções extremas, drásticas, e que certamente se mostrarão trágicas.
Como um besouro do mau agouro, ele fica ali, zumbizando no ouvido dos incautos, alardeando que tem o poder de acabar com os bandidos e a bandidagem.
Fala babando, com a raiva própria dos raivosos, reverberando na vontade e cansaço de uma crescente parte do eleitorado, como se ele fosse uma passagem só de ida para o paraíso.
Diz que vai armar os cidadãos, para que estes respondam a bala, olho por olho, dente por dente, aos ataques da bandidagem.
Desrespeitador, desanca mulheres, ofende colegas de plenário, tendo dito em uma ocasião que uma deputada era "tão feia", que não merecia ser estuprada por ele próprio.
Acha que “mulher deve ganhar salário menor porque engravida”. E justifica alegando que, “quando ela voltar [da licença-maternidade], vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano."
Defende o uso da tortura e diz que o maior erro da ditadura foi ter 'torturado e não matado.'
Disse para a cantora Preta Gil que ele não corria risco de seus filhos se relacionarem com uma mulher negra ou com homossexuais, porque eles foram muito bem educados.
E ainda ameaçou bater em gays, conversando com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:
“Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.”
Acha que o general Augusto Pinochet , um dos maiores carniceiros da história da humanidade, pegou leve com aqueles que atreveram a discordar da ditadura chilena:
“Pinochet devia ter matado mais gente”, disse.
O pré-candidato segue incólume nos noticiários, subindo nas pesquisas, destilando ódio e preconceito, prometendo mudar o Brasil na base da paulada sem oferecer alternativas reais, além das corriqueiras bravatas e ameaças que domina tão bem.
Messias?
Só no nome.
Jair Bolsonaro não passa de um Sassá Mutema sem poesia.
Um candidato truculento e sem o carisma da personagem de Lima Duarte no folhetim.
A única diferença é que a nossa novela é real e parecemos muito distantes de um final feliz.
Monday, September 4, 2017
Neste 11 de setembro
Como aconteceu no dia 8, no dia 9 e em muitos outros dias que o antecederam, o mundo irá acordar com o sol neste 11 de setembro.
No Tibete, um monge se levantará e fará sua primeira oração da manhã.
Em sua prece, pedirá à divindade que derrame sobre o mundo um manto de luz.
Luz para enxergar na escuridão da intolerância.
Luz para caminhar na retidão dos justos.
Luz para fazer transparecer as almas aflitas deste mundo.
Luz para aqueles que não conhecem outro caminho que não o do ressentimento.
Em Estocolmo, na civilizadíssima Suécia, uma moça loura como uma princesa viking, abrirá a janela para permitir que a brisa fresca de final de verão, entre em seu quarto e se espalhe pelos quatro cantos, trazendo fluidos bons.
Na Espanha, numa casa de pedra da Andaluzia, uma menina cigana cantará um canto místico, um canto gitano da mais pura magia.
Em Varadero, Cuba, uma senhora de setenta anos de idade, confidente dos Orixás, irá a uma cachoeira com uma oferenda de agradecimento.
Tranquila, entenderá a linguagem dos peixes e conversará com as plantas num idioma que só os graduados da umbanda sabem entender.
Numa savana do Quênia um grupo de meninos sairá correndo, peito nu de encontro ao vento, livres e leves, sentindo na pele uma carícia da natureza.
Nos pampas argentinos, um vaqueiro levará o seu gado para pastar num vale verdejante e o minuano soprará ao seu ouvido uma confidência:
- Algo de bom está acontecendo neste instante, aqui no lugar em que habitas.
No limite das duas Coreias, dois camponeses, um de cada lado da História, estarão sentados no espaço imaginário onde, provavelmente, foi desenhada a linha da fronteira e, juntos, dividirão um prato de comida.
Um padeiro francês, na volta de sua derradeira entrega da madrugada, esfacelará os pães que não foram vendidos no dia anterior, e os dividirá com os esquilos famintos da praça.
Numa igreja siciliana, um padre se porá de joelhos evocando a figura perene de Deus e, numa emocionada oração, pleiteará para que o Todo Poderoso derrame sua bondade sobre a humanidade, tocando a cada cidadão, independente de credo ou cor.
Nas ruas de Belfast, na Irlanda, um grupo de católicos e protestantes conversará normalmente, como se todo o ódio e amargura fizesse parte de um passado que deve ser esquecido.
Em Sidney, na Austrália, um aborígine trafegará pelas ruas da cidade sentindo-se parte daquele quadrado de concreto e progresso.
Na Cidade do Cabo, no extremo da África do Sul, negros e brancos estarão fazendo uma passeata pacífica, uma via-sacra de agradecimento pelo progresso obtido na convivência entre ambos nos últimos tempos. E pela promessa de harmonia de tempos que ainda hão de vir.
Juntos, combinarão que a palavra Apartheid será excluída do dicionário. E sairão dançando pela cidade como se fosse carnaval.
Num bairro distante da zona leste de São Paulo, um grupo de meninos jogará futebol durante o recreio escolar.
Uma moça bonita e bem vestida, saída provavelmente da capa de alguma revista de moda, auxiliará uma anciã a atravessar uma movimentada avenida londrina.
Em Santiago do Chile, um motorista mostrará ao turista suíço um grupo de mães numa praça do centro da cidade.
Ao contrário do canto de tristeza pelo desaparecimento de seus filhos durante a ditadura de Pinochet, hoje elas entoam uma marcha folclórica, saudando a chegada da colheita nos campos do país.
Numa mesquita da faixa de Gaza, um rapaz que queria ser homem-bomba muda de ideia e promete plantar um jardim.
Nesse mesmo instante, em Jerusalém, Benjamin Netanyahu receberá uma comitiva árabe para uma reunião que decretará um cessar-fogo definitivo.
E nós, que vivemos nas cercanias de Nova York, olharemos para o céu cristalino de setembro e nele não haverá nenhum sinal de perigo.
Apenas um bando de pombas brancas, sinalizando a existência de um mundo em paz.
Monday, August 28, 2017
Alô Sampa!
Estou muito feliz por ter fechado, hoje, o local de lançamento de Papoulas de Kandahar em São Paulo.
Será no dia 7 de Novembro, na belíssima livraria Blooks (Shopping Frei Caneca — Rua Frei Caneca, nº 569 – 3º Piso).
A noite fará parte do Sempre Um Papo (obrigado Afonso Borges!) na cidade e contará com a participação especialíssima de um amigo querido (surpresa, por enquanto), que certamente irá abrilhantar ainda mais a nossa noite.
Anuncio nos próximos dias detalhes das presenças em Goiânia, Poços de Caldas e FliAraxá.
Estou feliz.
Sei que estarei entre amigos.
Tuesday, August 22, 2017
Banquete animal
Célio Dimas Cordeiro da Silva: esse é o nome impresso na certidão de nascimento.
Nasceu em Governador Valadares e por lá deve estar vivendo.
Para sua mãe ele era Célio Dimas, e parecia sempre prestes a lhe passar um cerimonioso sabão:
- Célio Dimas, quem soltou o canário?
- Isto lá são horas de chegar em casa, Célio Dimas?
- Célio Dimas, você bebeu outra vez?
Para a turma na rua, no entanto, ele era Celim, um dos sujeitos mais divertidos que a vida já produziu.
Ficamos amigos no início dos oitenta, jovens e ingênuos. Nosso encontro era religiosamente dominical e, como tal, era chamado de missa.
- Te vejo na missa, domingo que vem.
- Combinado, o outro respondia.
O padre eu não sei quem era. Mas os santos de nossa devoção eram São Rafael, e São João da Barra, aquele "milagroso".
Eu era um dos viajantes na maionese de um certo Varal de Poesias, que acontecia todos os domingos na Feira Hippie da cidade.
Celim, por sua vez, vendia umas ‘tabuínhas’ em que desenhava a pirógrafo, motivos infantis e nomes de crianças.
Nós gritávamos "Óia o Varal"; ele respondia "Óia a ‘talbinha’".
Na saída, talbinhas (ou seria tabuínhas?) e varais saiam para beber cerveja.
E ficava-se ali no Bar Pedrão, as pernas esticadas na calçada, comendo pipoca com queijo ralado, olhando as moças passarem, as horas definhando na preguiça da tarde.
A medida que o tempo passava, a cerveja minguava nos copos, e apenas a incerteza de melhores dias transbordava das conversações. Muito injusto, o Brasil, pois aquele moço tinha muito talento.
Era mestre da caricatura e do cartum, e criava personagens que dava pra montar uma Disneylândia só dele.
Ficávamos espantados com a firmeza de seus traços, levando em conta que ele tremia muito, como se sofresse do Mal de Parkinson. Excesso, talvez, de cachaça.
Celim não tinha um único osso maldoso em seu corpo.
Vim para os Estados Unidos e ele ficou por lá assinando uma charge no Diário do Rio Doce, diagramando textos e propagandas numa agência. Aos domingos, continuava vendendo ‘talbinhas’ na feira da Praça Serra Lima.
Anos depois recebi uma carta dele aqui em New Jersey. Estava vivendo na Califórnia, trabalhando com chicanos numa fábrica de fios de cobre.
Mandei uma resposta falando que queria fundar um jornal brasileiro. Dois meses depois ele apareceria por aqui, sócio da empresa, trazendo à tiracolo um esdrúxulo guarda-roupas, uma coleção de óculos de grau comprada num brechó.
Com a turma da República do Babujo vivemos dias e noites gloriosos, numa época em que esbanjávamos saúde e nossos fígados ainda resistiam.
Era o período do Scorpio’s, do grupo Brazilian Energy e dos shows de MPB na cidade. Fomos em todos eles: Gonzaguinha, Gilberto Gil, Alceu Valença, Sá & Guarabyra, Elba Ramalho, Fagner, Beto Guedes, Zé Ramalho... nossos ídolos.
Celim, como sempre, protagonizou estórias engraçadas, várias delas antológicas e nem sempre publicáveis, hoje temas de retóricas animadíssimas, toda vez que dois ou mais pensionistas do Babujo se encontram.
Era hilário vê-lo "traduzindo os diálogos da televisão americana para brasucas recém-chegados.
Ele, que não sabia nadinha de inglês, sentia-se na obrigação de traduzir a língua para os neófitos. E a todos enganava com seu sotaque estranho e palavras que inventava.
Recordo-me de uma noite em que ele não estava conosco no bar onde costumávamos nos encontrar. Havia ficado em casa dormindo.
Duas da manhã resolvemos retornar e, quando entramos na cozinha, o encontramos de pijama, com uma cara sonolenta, debruçado vorazmente sobre um prato contendo uma gororoba.
Sabedores de sua total inabilidade para cozinhar, tratamos de desvendar o que ele comia com uma boca tão boa.
Encontramos a resposta no cesto do lixo: uma lata da Purina.
Celim, que não soube o ler o que estava escrito na lata, tinha esquentado a comida de Rocky, o pastor alemão que meu irmão Toninho criava no quintal.
Para não comprometer o rebolado, Celim - que não perdia o amigo e nem a piada -, continuou jantando.
Ato contínuo, passou o que sobrou daquela noite sentado no parapeito da janela do quarto bebendo cerveja. Entre um gole e outro de budweiser, latia e uivava para a lua.
Friday, August 11, 2017
Assim se estreitam as margens do oceano
Esta é a segunda vez que vou à Europa mostrar um livro meu. A primeira foi em 2013, junto com o poeta Bispo Filho, divulgando “Meninos de São Raimundo”. Nós fomos muito bem recebidos em Portugal, Espanha e Inglaterra. Senti ali que ainda voltaria.
Quatro anos depois, retorno só, levando minhas Papoulas de Kandahar. Vou com o coração batendo miudinho, sabedor de que sentirei tremenda falta do Bispo Filho. Aquela viagem foi uma espécie de ponte, que nos irmanou novamente e levou a velha amizade a um lugar maior.
Começarei a pequena maratona pela Ilha de São Miguel, nos Açores. O livro será apresentado pela professora Leonor Sampaio Silva, no Instituto Cultural de Ponta Delgada, dia 7 de setembro. Trata-se de uma enorme responsabilidade, dada a importância e seriedade do trabalho desenvolvido naquela instituição.
Na sequência, embarco para a Ilha da Madeira, que tem um dos aeroportos mais complicados do mundo. É público e notório o meu medo de avião e ainda não sei de qual uísque me valerei para chegar até lá. Mas é certo que chegarei.
Na ilha das flores terei uma agenda super agitada, com apresentação do livro em uma confraria de autores e recitadores madeirenses, na noite do dia 8 de setembro. No dia seguinte, 9 de setembro, terei contato mais direto com os madeirenses na livraria FNAC do Funchal.
Retorno à cidade do Porto na segunda-feira para um breve descanso e reminiscências. Rumarei em seguida em direção a Braga, que é uma espécie de segunda casa para mim. Na Bracara Augusta, o livro será apresentado pelos professores Jorge Pimenta e Margarida Figueiredo, amigos queridos e principais artífices de meu retorno ao Velho Continente. Acontecerá na Biblioteca Lúcio Craveiro de Souza, no dia 15 de setembro.
Pegaremos a estrada bem cedinho, na manhã de sábado, rumo A Orense, na Galícia, onde um emocionado reencontro se anuncia.
Caberá à escritora Concha Rousia e ao jornalista galego Joel Gomes a apresentação de Papoulas de Kandahar na cidade. A Arca da Noe, um centro cultural em uma taberna de Vilar de Santos nos receberá. Acabará em vinho, carinho, presunto e camarões ao alho esta nova passagem pela Península Ibérica.
Caso possam, compartilhem com os amigos, ajudem-me a divulgar este roteiro. Ficarei feliz em receber um abraço encomendado por qualquer um de vocês.
Admirável velho mundo, aí vou eu.
Grande beijo do
Roberto
Roberto
PS: Quero agradecer aos amigos Concha Rousia, Jorge Pimenta, Karla Alcântara, Eleonora Marino Duarte, Margarida Figueiredo e Joel Gomes por terem levantado esta bandeira e estreitado - com a força do amor e da amizade - as margens do Atlântico.
São para vocês essas minhas papoulas.
Wednesday, August 9, 2017
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