No post anterior, o poeta Assis Freitas comentou a parceria Raimundo Fagner/ Patativa do Assaré mas, ambos esquecemos da maior parceira (?) de Fagner, Cecília Meirelles.
Fagner musicou canteiros e Motivo, ambos lindíssimos e é bem provavel que nosso inconsciente nos tenha negado a lembrança devido ao imbroglio judicial envolvendo o espólio da poeta e o compositor.
Dando continuidade à série, resgato outro poema que ficou lindo demais, vestido de música.
Este aqui, de Drummond:
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
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