
divina comédia humana
(um bigode pra roberto lima)
hortências no purgatório. cinco
signos do homem que agoniza.
petardo de 2,5 centímetros, cospe
em seu quintal. pensa, estavam lindas.
o limbo foi desinventado, pode
cair. estão nas sementes o núcleo
do poema. seu nome, verbo
pronto pra voar em águas.
Prelúdio pra rapsódia
saudades eu tenho de um qualquer que me habitasse;
de toda terra ou pedra, terrivelmente linda, real, dorida.
saudades dessas que me ficam assim, solidão mais fora que dentro;
dos mitos que ficam existindo dentro de mim.
lastro
a poesia dizia que a gente não ia mais parar
de se olhar. nunca mais, nunca mais.
e eu não li mais nada. quiçá viouvi. amiúde
deixei de me derramar também. hoje,
eu dou umas risadinhas como as suas. umas
risadinhas assim, meio de leve, de olhar buendía. de você
peguei isso, assim, sem querer. você
me dá vontade de chorar.
barcarola pra anti-homem
depois que virei nome de avenida em new orleans
varei madrugadas a tentar renascer pra trás:
estrelinha do mar.
mas não deu. ouvi
"todos têm medo de nina rizzi".
logo, pós-tudo, puro despeito ou rebeldia,
vou matar esses meus olhos-buendía.
A Música Que Toca Sem Parar:
porque a poeta gosta, ese pop de câmara, aqui...
Antony and The Johnsons, Cripple and The Starfish.