
Muitas vezes fazemos mau uso da palavra. Nós a atrofiamos, dando a ela um emprego diferente daquele para o qual foi criada.
No outro dia, vi um comentarista esportivo chamando um determinado jogador de medíocre, como se ele fosse o piorzagueiro do mundo.
Mesmo que ele fosse o pior defensor do planeta, a palavra escolhida pelo jornalista não o colocaria nesta categoria.
Medíocre, que significa "na média", vem sendo usada para designar uma coisa absolutamente sem importância, insignificante.
Outra palavra que me chama bastante a atenção devido ao seu emprego de forma errônea é ignorante.
Chamam de ignorante aquele sujeito destemperado, de estopim curto, estúpido, grosseiro.
Considerar “ignorante” uma pessoa que tem dificuldade em aprender, por exemplo, é errado.
Na minha leitura da vida, ignorante é toda a pessoa que não toma conhecimento de determinada coisa, e escolhe ignorá-la, por mera opção.
Existem ainda palavras que possuem um sentido duplo, mas que com o passar dos tempos acabaram representando apenas um deles.
Fortuna é um destes casos.
Inicialmente era usada - também - para designar o destino de uma pessoa.
Hoje ela é empregada apenas para dizer enriquecer, "fazer fortuna", o que me faz perguntar: seria correto dizer que o dinheiro, se não compra a felicidade, poderia comprar o destino de alguém?
Outra que se perdeu na poeira dos tempos é reivindicar.
Nos tempos antigos reivindicar algo significava “vir ao rei” para pedir alguma coisa.
Nos dias de hoje, com o sistema monárquico existindo em pouquíssimos países, o mundo inteiro utiliza esta palavra sempre que alguém quer pleitear alguma coisa, exigir um direito.
E o rei? Onde ficou o rei?
É de bom tom lembrar, também, que com todas as conquistas ao longo dos tempos, o movimento Feminista ganhou um novo papel na sociedade.
Portanto, algumas pessoas precisam tomar certos cuidados para que não transformem algo tão importante, numa espécie de machismo vestindo saia.
Aprendi com a vivência, por exemplo, que calma não quer dizer frouxidão. E que firmeza não pode ser confundida com truculência.
E paz, meus amigos, não é o contrário daGuerra.
Paz é harmonia, concórdia.
É sossego, tranquilidade.
É calma, repouso.
Um estado de não-beligerância.
Fazera s pazes é reconciliar-se.
E a paz armada, é aquela que se sustenta pelo temor que os inimigos têm um do outro.
Não seria um disparate afirmar que, nenhuma guerra é santa. E que talvez seja o único jogo em que ambos os lados saem derrotados.
Aprendi, ainda, que a covardia não é uma forma de autopreservação. Ela é, isto sim, um sintoma de fraqueza, de pusilanimidade.
E que se saliente que xiita não é sinônimo de fanatismo, mas sim, uma corrente dentro do islamismo.
E que fé e fanatismo são duas coisas completamente diferentes.
Estamos, portanto, em muitos casos, interpretando e a aplicando muitas palavras de forma absolutamente incorreta no nosso cotidiano.
O que vale citar Oscar Wilde, que disse que, sesoubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.
A Música Que Toca Sem Parar:
toda a beleza de Palavra Acesa, de Fernando Filizola, com o Quinteto Violado.
Se o que nos consome fosse apenas fome
Cantaria o pão
Como o que sugere a fome
Para quem come
Como o que sugere a fala
Para quem cala
Como que sugere a tinta
Para quem pinta
Como que sugere a cama
Para quem ama
Palavra quando acesa
Não queima em vão
Deixa uma beleza posta em seu carvão
E se não lhe atinge como uma espada
Peço não me condene oh minha amada
Pois as palavras foram pra ti amada
Pra ti amada
Oh! pra ti amada
Palavra quando acesa
Não queima em vão
Deixa uma beleza posta em seu carvão
E se não lhe atinge como uma espada
Peço não me condene oh minha amada
Pois as palavras foram pra ti amada
Pra ti amada
Oh, pra ti amada
Pra ti amada