Friday, August 13, 2010

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O escritor e contador de causos Tadeu Martins me mandou isto aqui. Compartilho:

Oliveira de Panelas, poeta e repentista pernambucano, certa vez se deparou com um desafio no mínimo inusitado:
Após consertar seu carro na oficina de um amigo e perguntar quanto havia custado o conserto, ouviu do Dono da Oficina, que o conserto ficaria de graça, caso ele fizesse um verso, falando sobre o seu “órgão sexual”.
Surpreso e ao mesmo tempo indignado, Oliveira resolveu brincar com o seu amigo dono da oficina e descreveu assim o “dito cujo”:

Na Porta do Cu do Dono

Essa rôla antigamente
Vivia caçando briga
Furando pé de barriga
Doidinha pra fazer gente
Mas hoje tá diferente
No mais profundo abandono
Dormindo um eterno sono
Não quer mais saber de nada
Com a cabeça encostada
Na porta do cu do dono


Já fez muita estripulia
Firme que só bambu
Mais parecia um tatu
Fuçava depois cuspia
Reinava na putaria
O priquito era seu trono
Trepava sem sentir sono
E sem precisar de escada
Mas hoje vive enfadada
Na porta do cu do dono


Nunca mais desvirginou
Uma mata vaginosa
Há muito tempo não goza
A noite de gala passou
Vive cheia de pudor
Sonolenta e sem abono
Faz da ceroula um quimono
E da cueca uma estufa
Vive hoje à cheirar bufa
Na porta do cu do dono


A Música Que Toca Sem Parar:
o repentista Oliveira de Panelas, Na gramática portuguesa quem sabe tudo sou eu.

23 comments:

Fatima said...

Eitá!
Bjs.

Tania regina Contreiras said...

...ah, sim, mas aí ficou a curiosidade: o conserto foi dado como pago depois desses versos? hehehe
Beijos, Roberto

Mirze Souza said...

Ah Roberto!

Logo hoje que eu estava triste, morri de rir. Fantástico esse repentista e essa música da gramática!

Só você, para me tirar do sério!

Beijos

Mirze

Primeira Pessoa said...

pois é , fátima...
um no cravo, outro na ferradura...

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

mirze,
às vezes as pessoas possuem sensibilidades e se chocam com certas coisas...
ainda bem que este não é o seu caso... às vezes soa jocoso, de mal gosto... mas como foi feito, tem um que de pureza...

beijão,

r.

Primeira Pessoa said...

taninha,
ele cumpriu sua parte, né?
tadeu é amigo do oliveira de panelas e deve conhecer o final da estória.
vou assuntar.

beijão,
r.

Lara Amaral said...

hahaha... Esse merece ganhar todos os consertos, depois de um repente desses... Muito bom!

Abração, Robertinho do meu core! ;)

Jorge Pimenta said...

conheço uns quantos nomes da música ligeira portuguesa (vulgarmente conhecido por música pimba, género que mistura os sons populares com brejeirice q.b.) que agarrariam já nessa letra e a musicavam, hihihi!
o braga faz a sua estreia no campeonato a esta hora contra o portimonense e confirmo que o felipe é mesmo o titular. só o processo de substituição do ramires é que não ata nem desata (ao que parece esse wesley ainda não está descartado).
um abraço, roberto amigo!

Primeira Pessoa said...

ih, rapaz , eu e o renato braz costumamos nos cumprimentar ao telefone cantarolando aquela:
"quero cheirar seu baca;ha, mariaaaaaaaaaaaa"...
ele consegue fazer até uma voz pseudo-fadista...rs

jorgíssimo? estão pegando um volks pra substituir uma ferrari... sarta desse wesley...rs

beijão,

r.

Primeira Pessoa said...

um concerto por um conserto, larinha.... rs

merecia, sim.

pô, o cara virou "muso"...rs

beijão,
r.

Assis Freitas said...

Aqui em Feira existia a maior feira livre do Brasil, eu menino esbarrei em muito cantador, violeiro. Mas o progresso acabou a feira e o seu encanto. Jatobá fez até uma música pedindo prá trocar o nome da cidade para de Santana, já que feira tinha se ido,


abração

Primeira Pessoa said...

o jatobá tava de secretario da cultura de bom jesus da lapa, terra do guarabyra.
ele e xangai? rapaz, tem tanta estória... rs

gosto das composições dele. e a observação faz sentido.

tem baile fanque em feira?

oxalá, não!


beijão,

r.

Marcantonio said...

Rapaz, juro que quando vi a foto pensei: ué, parece o Oliveira de Panelas! Você sabe que morei em João Pessoa, e ele é presença contínua por lá, considerado uma verdadeira autoridade no seu ramo. E tem um vozeirão! Mas essa eu não tinha ouvido ainda, quem diria! Rs.

Abração!

Primeira Pessoa said...

veira de panelas é muito legal, marquinho. acho este lance da cultura de cordel um dos lances mais gostosos e, infelizmente, menos apreciados deste brasil que existe da bahia pra baixo.
existe um lance meio medieval da bahia pra cima, que carece de um estudo mais acurado. cê pega a música nordestina (e nem coloco elomar figueira de melo - o maior de todos em originalidade - nessa panela, que não é do oliveira), com influencias ibero-africanas, o cordel, os cantadores de feira (portas de castelo?)... partículas de areia de tempestade que cruzou o atlantico???... sei lá, uma tese qualquer...rs

ô, me ajuda aí...
não posso ser o único doidão desta casa...rs


beijão,

r.

Paulo Jorge Dumaresq said...

Uma ópera bufa nordestina, Roberto.
Sobre o tema tem coisas inacreditáveis nesse Nordeste fescenino que só os cantadores sabem expressar.
Ótimo domingão sem o Faustão que aquele cara ninguém merece.
Bjs na alma.

Marcantonio said...

Roberto, entendo o que você quer dizer. Aliás, o Tom Zé fala bem disso tudo daquela maneira atabalhoada dele, coisa de amálgama à la Jorge Mautner. Mas, acho que a gente, nesse caso, poderia se socorrer com o Ariano Suassuna, né não? Ihhh, rapaz, é um caldo cultural muito denso nessa panela!

Beijo.

Pelos caminhos da vida. said...

Hoje tirei o dia para conhecer novos blogs, interagir e fazer novas amizades.

Fica aqui o convite para conhecer o meu blog, serás bem vindo..

Fim de semana de luz.

beijooo.

Primeira Pessoa said...

Pelos Caminhos,
seja bem vinda.
Vou ao seu espaço aprender um bocado.

Grande abraço,
R.

Primeira Pessoa said...

marquinho,
suassuna é o cara. em minas, o rock progressivo ecoa por aquelas montanhas, porqueainda faz muito sucesso porque evoca uns lances gregorianos e mesmo de música barroca no seu contexto. não acho explicação pro "fenômeno", é algo que a gente não vê, mas sente, obviamente.
as tais "antenas"...

voc6e morou em joão pessoa, né? tem umas figuras interessantes por lá, o o pedro osmar, que acho uma fera. você conhece as coisas dele?

abração,

r.

Primeira Pessoa said...

paulo poeta do potengi,
vocês são uns privilegiados, meu caro.
faustão?
traduz o que há de pior e que enfiam goela abaixo na nossa população.
acho-o um chato.

mas meu voto não conta, né?

abração,

r.

Andrea de Godoy Neto said...

Genial o oliveira de panelas! Gosto muito de conhecer esses repentistas, cantadores, essa cultura de cordel...infelizmente tão desconhecida aqui pelo sul.

beijão

Primeira Pessoa said...

ua, andrea, mas vocês no sul tem as trovas, igualmente deliciosas, e com aquele traço gauchesco, meio tosco no humor (que eu acho um barato)...

gosto das duas coisas.
e muito mais de voce.

beijão,

r.

Lua Nova said...

Formidável... o cara é um mestre e muito bem humorado.
Este blog é cultura! rsrsr...
Beijos, querido.