Friday, February 8, 2013

A poesia (na prosa) de Guimarães Rosa


Quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa.
(...)

Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer
(...)


O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem
(...)
 
Viver é um descuido prosseguido.
Mas quem é que sabe como?
Viver...
o senhor já sabe: viver é etcétera...
(...)


Na própria precisão com que outras passagens lembradas se oferecem, de entre impressões confusas, talvez se agite a maligna astúcia da porção escura de nós mesmos, que tenta incompreensivelmente enganar-nos, ou, pelo menos, retardar que prescrutemos qualquer verdade.
Nenhum,nenhuma.
(...)


Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado à ela
(...)


(Guimarães Rosa, príncipe de Cordisburgo, vereda no Grande Sertão)



7 comments:

Dalva M. Ferreira said...

Guimarães Rosa, o grande.

Tania regina Contreiras said...

Palavras sábias, Beto! E como não haveriam de ser? É ele. E ponto! :-)

Beijos, mano!

Assis Freitas said...

proesia das boas,

abração

eurico portugal said...

nunca é fácil comentar guimarães rosa porque o que de mais verdadeiro temos é o que se sente mas não se explica. e que dizer a propósito do quase nada que se sabe e do tanto que se desconfia? e dessa vida que, se fundada no ódio, nos amarra a si para lá do próprio tempo?

[silêncio... engolir em seco... fechar os olhos e pensar na mudança de cenário, mesmo que o palco, os atores e as deixas sejam exatamente as mesmas]

abraço, amigo singular de tantas pluralidades!

Primeira Pessoa said...

duimarães, o rosa.

abração, dalva.

r.

Primeira Pessoa said...

guimarães era sábio, taninha.
e inspirado.

beijão do broda,

r.

Primeira Pessoa said...

proesia, zédeassis.

cê manja do assunto.

beijão,
r.