Sunday, February 24, 2013

Grandes parcerias

 
Quase sempre, um grande poema não dá uma grande canção.
No Brasil, Raimundo Fagner foi um dos artistas mais bem sucedidos nesta empreitada.
Fez coisas lindíssimas com Florbela Espanca (Fanatismo, Perdidamente e Impossível), Fernando Pessoa (Qualquer Música) Nélida Piñon (A Doce Canção de Caetana), Affonso Romano de Sant'Anna (Os amantes) e outros autores, como os espanhóis Antonio Machado e Rafael Alberti.
Com o maranhense Ferreira Gullar ele fez a maravilhosa Traduzir-se  e esta aqui, Cantiga Para Não Morrer, primorosíssima:
 
 


Me Leve
(Cantiga Para Não Morrer)


Quando Você for-se embora
Moça branca como a neve
Me leve, me leve

Se acaso você não possa
Me carregar pela mão
Menina branca de neve
Me leve no coração

Se no coração não possa
por acaso me levar
Moça de sonho e de neve
Me leve no seu lembrar

E se aí também não possa
Por tanta coisa que leve
Já viva em seu pensamento
Moça branca como a neve
Me leve no esquecimento


.

17 comments:

Tania regina Contreiras said...


Saudades do Fagner de antigamente, Beto! A gente corre sempre o risco de ficar diferente de quem somos. Essa música conheci aqui, com você, noutra oportunidade. E Traduzir-se é um hino meu, sem ser meu.

Beijos e saudades.

byTONHO said...



Mente leve... esquece-me!

Lindo!

:o)

byTONHO said...



"Mente leve... esquece-me!"

Lindo!

:o)

byTONHO said...



Caro Roberto

Tem notícias do Fouad Talal?

Sumiu da Blogosfera!

:o)

Sônia Brandão said...

Poema do livro Dentro da noite veloz.
Fagner fez um bom trabalho; ficou bonito.

Um abraço e uma feliz semana.

Primeira Pessoa said...

sónia,
não tenho o livro. já tive.
vou ao seu encalço.
deu saudade de reler.

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

tonho,
não falo com ele desde que saí da tertulia poão de queijo.
tenho saudades dele, claro.
bom menino, talentoso, infelizmente atleticano.

beijão
r.

Primeira Pessoa said...

e, sim, claro, tonho, linda demais.
adoro a canção.
adoro o poema.
e já gostei demais de fagner, que me fez gostar de poesia e esteve muito vivo em minha vida até ele entregar a alma ao diabo.
mas esse papo aí já é longo demais. rs

beijão,

r.

Primeira Pessoa said...

Traduzir-se é um hino nosso, taninha. de todas as pessoas que tem este tipo de afinidade com a arte em qualquer que seja a sua forma.
e é para ser compartilhada, sim.
hoje eu acordei com esta cantiga na orelha, incomodando, como o canto de uma cigarra, como um punhado de sal.

beijo grande,
r.

Índigo said...

Ojalá la brisa nos lleve donde nos haya de llevar. Y ojalá dejemos que nos lleve. Donde nos haya de llevar. Besos, Roberto. Grande cantiga, grande.

Assis Freitas said...

O vaqueiro

Eu venho dêrne menino,

Dêrne munto pequenino,

Cumprindo o belo destino

Que me deu Nosso Senhô.

Eu nasci pra sê vaquêro,

Sou o mais feliz brasilêro,

Eu não invejo dinhêro,

Nem diproma de dotô.

Patativa do Assaré

Fagner pegou este poema botou nome de Sina e só depois de muito tempo deu crédito ao cantador, e até produziu um disco com o mesmo, mas...


abração

Tatiana said...

Música é dos melhores transportes da poesia - é como um avião agrícola pulverizando a redenção da arte sobre as ervas daninhas!

Primeira Pessoa said...

tati,
eu não consigo viver sem música.
escuto o tempo inteiro, coleciono, e acho que sei até bastantinho de música.
a maior parte dos meus amigos é gente da música.
eu não toco nada (nem sino de igreja), mas me sinto músico.

doido, né?

beijão,

r.

Primeira Pessoa said...

o zé de assis,
fora vaca estrela e boi fubá, né?
eu estava em fortaleza quando papativa subiu pro galho mais alto.
quase peguei a estrada para assaré.
eu deveria ter ido. a gente leva muito arrependimento desta vida.

beijão,

r.

Primeira Pessoa said...

uma de minhas canções favoritas de silvio rodriguez, indigo.
adoro!
você tem bom bom gosto.

abração do
roberto.

eurico portugal said...

é verdade, querido amigo, em matéria de sons e letra, nem sempre a bota casa com a perdigota, mas há acasos muito felizes, muito felizes, mesmo. e, por disso falar, recordo-me de "o homem do leme", composição dos xutos e pontapés, letra do tim (o vocalista com pior voz de toda a história da música). não sei se conheces, mas aqui fica:

Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

há tanto de portugal e cada português neste oceano lírico-melódico...

http://www.youtube.com/watch?v=BWZZ2XtzSwc


ainda hoje, 25 anos depois de a cantar ao vivo, ainda me arrepio sempre que a escuta ou leio.

um abraço, amigo de tantas viagens!

Primeira Pessoa said...

euriquíssimo,
conheci o xutos e pontapés, claro. aliás, no porto, o guitarrista da banda estava no coliseu e foi citado por represas durante o espetáculo. lembra-se?

olhe, nãop podemos nos esquecer das parcerias dos trovante joão gil e luis represas com mario de sá carneiro e floprbela espanca.

não haveria como não citar a beleza de Fim e Perdidamente, certo?

abração, poeta.

r.