Tuesday, November 2, 2010

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solta-te
como se ainda fosses
um peixe a fugir da morte
e houvesse
por entre os dedos da noite
uma escada
de sereno veneno
por onde pudesses
mentir ao medo
e acordar numa hora
possível de dizer sim
um luminoso sim
e as marés
te olhassem nervosas
como se a palavra
ou o segundo
que tudo pode secar
te roesse a mão nua
e esse fosse
o instante da dor
ou o momento
de partir

deixa
que te durmam nos lábios
os velhos tambores
que te queimem os pés
as nuvens gastas
e que um outro lugar
rompa a areia do tempo
e rasgue o coração
como o céu do deserto
um lugar
que fosse como o ventre
dos sinos
e soasse almas sem lama
olhos sem raiva
que poisassem no mundo
sem o cegar



gil t. sousa


A Música Que Toca Sem Parar:
do recém-lançado cd/dvd Papo de Passarim, Zé Renato e Renato Braz cantam Ponto de Encontro, da autoria de Zé Renato e Milton Nascimento.


Corro ao portão
Que esperança
Correio já passou e não deixou nada
Segura essa coração
Vamos ver se amanhã a coisa...muda
O telefone diz
A voz é outra...
Fala do trivial
Não faz mal. Agrada...
Olhar não mente e se mostrou
Narrando uma ansiedade
Quase louca
É muito amor que se viveu
Pra se apagar na sombra
Da saudade... Que saudade

Onde se perdeu...
Onde se esqueceu...

Tudo tem seu momento, é tudo ou nada...
E lá no fundo sei talvez seja tarde
Só a imagem que ficou
Virá me visitar o pensamento
Virá me embriagar de fantasia
O teu perfume então estará na vida
A hora certa já passou
E o tempo não curou essa ferida
O muro cresce já subiu
E corro atrás da porta de saída...
A saída...

De te respirar...
De reconquistar...
De te respirar...
De reconquistar...

Corro ao portão, que esperança.
Correio já passou e não deixou nada
Segura essa coração, vamos ver se amanhã a coisa muda.

31 comments:

Indigo said...

Posarse en el mundo, como una libélula, pequeña, con ojos que ven, con el corazón, lo que a muchos, tantas veces, se nos olvida ver... Bello poema y bella la música de Zé Renato y Milton Nascimento. Un abrazo grande, Roberto.

Assis Freitas said...

discaço dos Renatos, coisa de gente grande. to ouvindo agora "o dia em que o morro descer e não for carnaval",



abração

Primeira Pessoa said...

adorei o disco, assis...
adoro a canção aqui postada que a tenho noutras versões. caso voce queira, posso te enviar as cujas ditas...

abração, bardo de ondina.

r.

Primeira Pessoa said...

indigo, a poesia serve de lupa, magnifica tudo... "vejo" assim.

feiz pela sua presença no blog, deixo-lhe um abraço.

r.

Paulo Jorge Dumaresq said...

Caríssimo, tudo de prima.
A poesia de Gil T. Sousa e a música dos Renatos embalam a alma que é uma coisa.
Prazer danado passar aqui e curtir essas maravilhas.
Abraço grande, menestrel das Geraes.

Jorge Pimenta said...

renato braz é, ao que vejo pela minhas deambulações pelos blogues (cada vez mais condicionadas, tenho de o admitir), assim uma espécie de guru da música tradicional brasileira, verdade? para lá das melodias, inspiradíssimas, as letras são-no, também :)
curiosamente, reparei que tenho um cd dele na minha discografia. oferta de uma muito amiga paulista que conheci em espanha. só depois consegui estabelecer as relações. estou mesmo a ficar velho, hehe!
um abraço!

Tania regina Contreiras said...

Eta música bonita, eta versos bonitos! Ô, Roberto, parece que eu tb fui abduzida, menino! Entendo completamente os sumiços, estou complicada também com isso. Mas é sempre bom poder passar por aqui, só tem coisa boa, inavriavelmente!

Beijão,
T.

Primeira Pessoa said...

é linda a música, sim, taninha. foi gravada pela primeira vez num disco de milton.

acho que ando desanimado, também, com a falta de cronicas novas. acho que deve ser isto. ando cansado de contar as mesmas piadas...rs

estou tentando me organizar.

beijo grande do

roberto.

Primeira Pessoa said...

jorge,
renato é um grande artista brasileiro, meio cult. é reverenciado como um dos maiores intérpretes da nova geração e é um sujeito muito digno, que não canta nada que não lhe tocar o coração.

conheci jorge amado em nova york, proseamos, ele lançava por aqui a versão em inglês de tocaia grande. nunca mais o vi.
paulo coelho? não gosto. nem do que ele escreve e nem da forma com que escreve.

mas este vende muito. muitíssimo. rs

tão bom te encontrar aqui, bardo bracarense!

abraço grande desse seu amigo de minas, o

roberto.

Primeira Pessoa said...

paulo poeta,
acho que essa combinação ficou bacana, né?
há cerca de um ano estávamos numa roda de viola num bar de pinheiros (ponto de encontro dos músicos depois da meia noite... eles vão pra lá pra tocar e cantar o que realmente gostam), em sampa, e renato ficou meia hora cantando essa música.
e ele me disse que ainda a gravaria num disco seu. e gravou.

e ficou linda, essa dobradinha com zé renato.

bom demais te rever aqui.

abração,

r.

Lara Amaral said...

Bonito poema!

Passando para te deixar um beijo e um abraço beeem apertado.

:*

Primeira Pessoa said...

larinha,
to em falta com você. e em falta comigo mesmo.
fico grato pela visita, que retribuirei.
pode escrever aí!

abração do

r.

Magnolia said...

Poemas escolhidos a dedo , Roberto....
Beijo

Primeira Pessoa said...

aprendo com vocês, magnólia, que sabem como poucos, separar o joio da jóia.

bom te ver por aqui.

abração do

r.

Carla Diacov said...

oi...
te achei no Pimentão...o Jorge!


e, se permitir, eu não largo mais!


beijo.

Primeira Pessoa said...

carla,
se chega pela mão de jorge (pimentão?...rs), chega muitíssimo bem.

sinta-se em casa.

abração do

roberto.

líria porto said...

queres mem atar?? aposto - ou não terias me oferecido esta dose dupla!
besos

Primeira Pessoa said...

ah, lírica..
que falta que cê andou fazendo por aqui...

um cê ja conhece, né?
agora falta o outro...rs
mas pra isso acontecer teremos que falar com o primeiro.

beijo,
r.

Júlio Castellain said...

...
Aqui tudo perfeito como sempre,
meu camarada Roberto.
Abraços.
...

Primeira Pessoa said...

perfeito mesmo fica quando amigos sensíveis e gentis dão o ar de sua graça por aqui, julio.

sua presença, sempre um ponto de exclamação.

abraça-o, esse

roberto.

Marcantonio said...

Belas escolhas, como de hábito, Roberto. Estou um pouco ausente, não é? Alguma correria por aqui, mas não o abandono não!

Um abração!

Zélia Guardiano said...

Lindo, divino, marvilhoso!
Aqui não tem erro: cada enxadada, uma minhoca (diria um tio querido, que já se despediu de nós...)
Grande abraço, todo rebordado de admiração, amigo Roberto!

Gilson said...

Realmente muito bonita a música. Ótimo post.

Primeira Pessoa said...

muito grato pela visita, gilson.
fico feliz que tenha gostado.

abração,

roberto.

Primeira Pessoa said...

zélia, agora já posso renovar o post.
você passou por aqui.

abração do

roberto.

Primeira Pessoa said...

marcantonio,
sei como é isto, as coisas embolam. o angu encaroça. e nem sempre estamos motivados.

fico feliz que você tenha vindo.
é pra vocês que fico catando essas palavras.

abraço grande do

roberto.

líria porto said...

esses pássaros canoros... ah, eles me comovem! tu também, com este teu olhar de boi... besos

Primeira Pessoa said...

pois é, lírica...
olhar de boi a caminho do matadouro...rs

nascemos assim, né?
na fila pro abate.

a propósito disto, anteontem recebi uma notícia devastadora. uma pessoa mandou me convidar pra uma festa na casa dele, hoje. nesta festa, ele anunciaria a sua partida em breve.
e esta festa acontece agora, no que te escrevo.

doido demais.
os médicos o mandaram para casa, lírica. ele escolheu dar uma festa.

e fica essa dor aguda... manja essa dor?

beijo grande, de quem tem aversão a partidas

r.

fouad talal said...

putz beto!

não tem base o encontros desses renatos. muito phoda!

saudade de ocê e da turma...
nosso filho (a tertúlia) tá crescendo.

bjão!

putas resolutas said...

nossa... a fá, cuja cachorrinha teve que ser sacrificada, já me arrasou - preciso mais sabedoria...

besos

Primeira Pessoa said...

lírica, devo ser um cara vazio demais, tolo demais, leviano demais...

não sei lidar com perdas. não sei.
cê acredita que não tive colhões de ir à festa? só tive coragem de chorar sozinha. um bostinha.

mas a atenção e a a emoção foram desviadas:
me "entreti" com bebel, que caiu patinando no gelo e se levantou com o joelho (acima daquelas canelinhas secas) do tamanho de um coco.tá lá em vima, toda orgulhosa das muletas, e eu aqui, o coração do tamanho de uma ervilha.

viver é muito perigoso, já dizia o joão.