Tuesday, December 4, 2012

Uma casa sem portas ou janelas

 

Neste momento em que o Brasil mergulha prazerosamente no filme De Pai Para Filho - que conta a história turbulenta da convivência de Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha -, passa outro filme em minha cabeça (e em meu coração).
E este outro filme remonta ao ano 1988 e eu estou em minha casa, quase almoçando, quando um amigo que produzia o show de Gonzaguinha em New Jersey telefonou, apavorado:

   - Estou com um pepino na mão. Peguei o Gonzaguinha ontem no aeroporto, mas ele é seco de corte. Já tentei de tudo quanto é jeito entabular uma conversa com ele, mas o cara é uma casa sem portas ou janelas.

Fiquei animado com a possibilidade de conhecer o ídolo, mas bastante receoso.
Afinal, sabia de dezenas de estórias a respeito de um dos meus compositores favoritos da MPB.
E todas elas falavam de um cara interessantíssimo, mas de difícil trato.
Genioso, introvertido, politizado, inteligente e absurdamente “seco” com as pessoas, o que diziam ser resultado de sua difícil relação com o pai, ninguém menos que o Rei do Baião.
Noves fora nada, Gonzaguinha ainda ficava incomodado com o assédio dos fãs.

Para ilustrar o seu ponto, meu amigo contou que no dia anterior estiveram em uma loja da Rua 46 e Gonzaguinha espinafrou o gerente, que pediu para tirar uma foto com ele.
A polaroid seria para colocar na “parede da fama”, que continha fotografias de todas as personalidades brasileiras que passaram por lá.
Gonzaguinha teria permitido a foto, mas apenas depois de desconcertar o gerente com uma cátedra sobre uso de imagem e suas indevidas ramificações.
    - Você vai vender mais eletrônicos com a minha fotografia na sua parede e eu ganho o que? - teria dito o compositor de tantas canções que me marcaram.


Corajoso, eu fui ao encontro.
E eles me esperavam numa mesa ao fundo do Scorpio’s, em Elizabeth.
Fomos apresentados e a empatia foi imediata.
Gonzaguinha havia abdicado do cavanhaque, usava agora um bigodão que se esparramava até o queixo.
No braço, um relógio do tamanho de um despertador e as mangas da camisa arregaçadas, como nas capas de seus discos.
Pedimos uma cerveja, duas, três.
Pedimos tantas, que não me lembro mais quantas. E as dele ele deixava esquentando sobre a mesa, antes de começar a bebê-las, devidamente mornas.
    - Quem bebe cerveja estupidamente gelada – como num comercial de TV que havia no Brasil no final dos setenta – só pode ser estúpido, dizia ele.
Ao que eu, diplomaticamente, respondia:
    - Quente? Só sopa e mulher.
E ele ria de mim.


Falamos de tudo.
Futebol, política, família, mulheres bonitas, culturas diferentes, morro de São Carlos, morro da Orelha (em São Raimundo) e sei lá mais quantos assuntos de tantos outros morros. Tudo, menos música.
Já estávamos naquela prosa havia pelo menos sete horas, quando dei uma vacilada e disse que gostava muito de suas canções, e em especial de uma delas, que quase me fazia chorar.
Levei uma descompostura imediata do astro, que deixou claro que era desnecessário bajulá-lo, e que “aquilo” era um desatino meu.
Tremi.
Eu havia dado vinte litros de leite e um coice no balde.


Vendo a cara de tacho e desapontamento, ele resolveu me dar uma segunda chance, perguntando que canção era aquela que "quase me fazia chorar".
Deu um branco na hora.
Pode ter sido a cerveja. Ou a força do coice.
 
- Eu não me lembro, Gonzaga.
- Vê? E eu achando você um cara legal. Você chega e me ganha, depois estraga tudo dizendo que é meu fã e não sabe sequer o nome da tal música que quase te faz chorar.

Olhei pra ele, cheio de brios, e retruquei:

- Me esqueci do nome da música, mas eu sei cantá-la.
E ele, desafiante:
- Sabe? Então canta ela pra mim.
Tomei um gole de cerveja, pigarreei para limpar a goela e comecei a gaguejar, timidamente:

Hoje eu sei, eu aprendi que a festa e a solidão
Andam juntas, dançam juntas, no mesmo salão
Se acarinham, amam, brincam num só coração
Num só coração
Meu coração/ Meu coração/ Meu coração
Meu grande coração
(...)


Gonzaguinha me tomou a canção, emocionado e continuou a cantá-la, os dois homens de olhos marejados, um momento genuíno acontecendo ali:

Um terreiro embandeirado, foguetes, fogueira,
Lua, lindo céu lavado, delírio, roleira,
Fim de brasa, sombra a cinza, é borra, é prata
Cola, gruda, permanece no chão da sapata
No chão da sapata/ Chão da sapata/ Chão da sapata
Chão da minha sapata
(...)

Quando Gonzaguinha terminou de cantar eu estava completamente à mercê da beleza daquele momento.
E ele também.
O compositor me deu um abraço afetuoso e sussurrou, com a cabeça pousada em meu ombro:
- O nome desta música é Festa e Solidão. Nunca mais se esqueça disto.

E eu nunca mais me esqueci.






51 comments:

Andrea de Godoy Neto said...

sim, solidão e festa nos habitam sempre... fora elas, o que resta?
não sei. mas sei que a solidão pode ser artista e que importa é que quando seja festa tudo brilhe, floresça, renasça, que haja dança e riso... a festa é como chuva de verão, o lago de águas profundas é a solidão

querido, 50 anos de boas histórias para se contar não é pra qualquer um. Comemore isso.
Tu és um contador de história (ou estória se preferir) dos melhores, desses que as vai fazendo ao andar. Então, que teu caminho seja longo, e macio.
Feliz Aniversário!
beijo, com aquele afeto que tu sabes

dea

Além da Porteira said...

Manim,

Não sabia que "Festa e solidão" estava entre as suas favoritas... pois está entre as minhas desde a primeira vez que ouvi. Gonzaguinha tem várias que eu citaria, mas as do topo certamente são "Festa e Solidão", "Mamão com mel", "Diga lá coração"... e por aí vai...
Taí um cabra que faz falta nessa música brasileira tão doída dos dias de hoje.
Belo encontro, manim...
Bela homenagem...
Beijo e parabéns mais uma vez pelo seu dia... ;o)
Diubs

Iara Maria Carvalho said...

que lindaaaa! não conhecia Festa e solidão, mais ou menos como esse encontro, ao mesmo tempo luminoso mas temeroso.

o filme é belíssimo, chorei todos os tipos de choros que aprendi na vida.

um beijo!

Verso Aberto said...

ê mano Beto

e lendo você aprendo que o que sobra do farto, o que somos, vai além das sombras... das sobras

abraço afetuoso nocê

Tania regina Contreiras said...

Beto, que oinvejaaaa! rs Eu já arranhei bolachões de Gonzaguinha, eu já chorei amores inventados, eu queria tanto cantar com ele e tu cantou...Teu texto me emocionou foi tanto que tu nem imagina. Escrever assim, meu mano querido, é covardia. Nunca vou escrever porque esse coração poético é só teu, e eu amo ele.
Beijos,

Mariani Lima said...

Esse relato me deixou muito invejosa rsrs..sempre fui apaixonada pelas canções sem saber os nomes igualmente, mas a paixão aumentou pós filme.
Texto incrível. Abraço.

Assis Freitas said...

marejado fiquei eu broda,



abração

Assis Freitas said...

putz broda, eu entrei aqui pra desejar um monte de coisas boas pra ti (aos 50 tudo recomeça, eu digo de cátedra) e me debrucei na leitura e ganhei mais presentes do que posso oferecer,


desse teu broda abração

Adri Aleixo said...

Pô, Beto!!! Eu tô aqui mesmo bem sentida com a história do filem e sou grande fã do neto de Januário...

Tô com saudade docê também, lembrando daquelas cervejinhas lá de Betim. Só por isso acabo de abrir uma skol em sua homenagem.
Beijo grandão!!!

Primeira Pessoa said...

dea,
ce tem um jeito tranquilo de conviver com a solidão. reparei que você , às vezes, tira férias da solidão e faz retiros que te fazem bem.
aliás, das pessoas que conheço, você é uma das que melhor administra essa má-companhia, a da solidão.

somos amigos há anos e aprendemos um cadiquim sobre o outro, ne?
saiba, dea, que é um privilégio ter pessoas especiais como você - na prateleira mais alta - fazendo parte destes meus cinquentinha, desta minha vida de pequenos atrativos e de alguma alegria.

beijão, dea.

r.

Primeira Pessoa said...

nusga, diubs...
gosto desta canção e não é de hoje e faz parte de um trinca de cantigas de uma determinada época de minha vida e que são pra sempre. ela, canteiros e flor da paisagem (cantadas por fagner), pinhão na arrumação (elomar), itamarandiba (milton), respire fundo (walter franco), desengano (lula cortes), terras de minas (filó), promessas demais e mau necessário (ney matogrosso), meninas do brasil e pedaço de canção (moraes moreira), coqueiros (geraldim azevedo)... ah (rs)... ia fazer uma listinha... mas num ia - num vai - caber, nem que a batata rache...

ó, prestenção: tô com muita saudade de você.

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

Iara,
moça do seridó que escreve coisas bonitas:
estou achando genial isto de resgatarem a memória nacional com filmes como este.
que venham, portanto, antonio conselheiro, lampião, santos dumont, oswald e mário. que venha drummond e rubem braga.
que venha chacrinha, grande otelo e adoniram!
e por aí adentro.

(vou escrever uma cronica com idéias de script).

ha pelo menos dez anos eu ja falava da grandeza do personagem de heleno de freitas. ninguem me ouvia, mas era tão obvio.

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

marquinho,
poucas pessoas tiveram em minha vida a influência que você teve e tem.
não fosse você, na melohor das hipóteses, eu seria apenas mais um burocrata.
e poderia ser tão pior.

beijo grande, meu irmão.

r.

Primeira Pessoa said...

taninha,
eu me considero uma pessoa de sorte.
a vida me reservou grandes encontros.
encontros como o nosso, por exemplo que, por mais no futuro que esteja, já era realidade antes de nos sermos e já nos havia reservado a eternidade.


beijo afetuoso do
r.

Primeira Pessoa said...

Ainda não vi o filme, mariani, mas ja vi o trailer (que lá em são raimundo, no cine poeira, chamavam de trêlo) mais de trocentas vezes.


beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

zé de assis,
o mais engraçado de tudo isto é que reside a sensação de que você estaria comigo em todas essas pequenas aventuras.
já se imaginou fazendo a segunda voz (jaraca e ratinho, que somos sertanejos de lâmina e rosa)em festa e solidão?

beijão, broda.

r.

Primeira Pessoa said...

uai, adriana,
em breve - com a graça do Altíssimo - estaremos reunidos de novo por aí, desentortando umas brejas, domando umas caiabas daquelas da roça...rs

cê tá bem?

beijão,
r.

Kellen Bittencourt said...

Amigo, que história mais lindaaa, sensacional, apesar da certa antipatia do Luiz, muitos são assim mesmo, um tanto arrogantes, mas acho que vc tirou de letra o encontro no fim das contas, e hj podemos ler sobre um momento da vida dele que só vc sabia rsrsrsr adorei! Abraçoss
Obrigado pelo comentário no Blog, de fato o restaurante que falou é muito recomendado por lá!

Primeira Pessoa said...

kellen,
não creio que seja arrogância. a questão é de criação, quero crer. e alguns fardos são pesados demais para serem carregados sorrindo.
que bom que gostou de tiradentes. gosto muito de lá. aliás, o barroco mineiro é um dos meus "fracos".
sou suspeito em falar.

abração do

r.

dade amorim said...

É teu aniversário hoje, Primeira Pessoa?
Então tenho que dizer duas coisas: gostaria de ter conhecido o Gonzaguinha também. E que tudo de melhor deste mundo venha ao teu encontro!

Abrasço dos grandes!

Primeira Pessoa said...

foi ontem, dadi.
meio século de pequenos delírios e grandes porradas da vida...rs
naquele corpinho de 60, obviamente, que cinquentinha abusando da saúde não poderia (mesmo!) dar em boa coisa.

mas cheio de amigos queridos, pessoas queridíssimas, como você.

quanto ao gonzaguinha, que "ele espere por nós, moreno"...ra
que ele espere , por nós...

que ele espere muito por nós.

abração do

roberto.

Rejane Martins said...

Crônica emocionante e linda, sublinho algumas frases imensamente humanas:
[...]em minha cabeça (e em meu coração)
[...]Corajoso, eu fui ao encontro
[...]Deu um branco na hora. Pode ter sido a cerveja. Ou a força do coice.
[...]me tomou a canção, emocionado e continuou a cantá-la
[...]E eu nunca mais me esqueci.

Vim ler-te e desejar um bom e belo início de novos tempos :) uma listinha enorme de coisas boas e batalhas vencidas por mérito - o que não é nada difícil pra ti, Roberto; e, de tudo, fica tua grandeza - gosto demais deste tamanho do teu coração!
um abração e felicidades hoje, amanhã e depois.

Primeira Pessoa said...

rejane,
os amigos queridos sempre nos olham com olhos de lupa quando é para abordarem eventuais virtudes, omitindo até mesmo as mais gritantes imperfeições.
eles nos entendem e perdoam todas as precariedades, magnânimos que são.
grato pelo carinho.

beijão,
r.

mariangela alvarez said...

Emocionante encontro... Privilegiado vc, como o do Rauzito...

Quando era estudante, o Gonzaguinha,foi fazer um show e meu primo, que era amigo dele me levou atrás do palco, para conhecê-lo...Na época muito magro, mas atendeu os estudantes com maior prazer....estava doente, tadinho.., mas com sorriso nos lábios e muito afetivo.

Voltei no tempo...

Beijo

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) said...

Eu andava mesmo precisando te ler, reler, rever qualquer hora...
E por dizer de festa: acuso hoje seu aniversário ontem...
Gonzaguinha, ah! Gonzaguinha...

Abração, sô...

Primeira Pessoa said...

mariangela,
acho que gonzaguinha foi um dos artistas que mais fez shows para estudantes naqueles idos (e não mais "voltados").
eu fui a varios shows dele, todos eles muito bons. gonzaguinha tinha uma belíssima (e leal) banda.


beijão do
r.

Rejane Martins said...

Não, Roberto, amigos trazem verdades,
grata pelo carinho,
Rejane.

Primeira Pessoa said...

concordo, rejane. amigo traz sempre um tantão de trem bão. e verdade é um desses "trem".

afeição do

r.

Primeira Pessoa said...

pois é, da rama...
escutei gonzaguinha em sua casa, com seus irmãos mais velhos, até riscar o long play... peguei emprestado, mais de uma vez, o disco que tinha "sangrando". e esse menino sangrava, no que escutava... e sangrava e sangrava e morria.
ó, registra aí: foi "trezantonte" , o desaniversário.
tava com saudade de te ler por aqui.

beijão do

r.

eurico portugal said...

não há ninguém como tu a quebrar gelo, pois só tu sabes que por debaixo da superfície que pisas está sempre uma chama à espera de ser ateada.

bela crónica, esta, que nos deixa a todos, neste dia de aniversário, a pensar como é especial ter a tua amizade.

abraço, robertílimo de tantos mundos!

Morgan Nascimento said...

Olá, parabéns pelo blog!
Se você puder visite este blog:
http://morgannascimento.blogspot.com.br/
Obrigado pela atenção

Dois Rios said...

Ah, Roberto, sei lá! Se eu disser tudo vai soar tão pouco que nem sei por onde começar. O fato é que estou assim meio boquiaberta diante da tua comovente crônica. Cativante. Talvez essa seja a palavra que te (de)move das possíveis dificuldades de integração. Além dos mais, cantas, sapateias e escreves deliciosamente bem. Gonzaguinha demonstrava através das suas letras e músicas, uma sensibilidade ímpar e, claro, captou a 5ª essência do instante já, como diria Clarice, rs. Te deixar escapar não mudaria nada na vida dele, mas te deixar ficar, sim, fez toda a diferença.

Beijo,

Primeira Pessoa said...

inês,
tudo soa bem, quando dito de dentro.
gonzaguinha tinha esta sensibilidade a que você se refere, sim.

no que niemeyer pediu a conta, esta semana, me lembrei da igrejinha da pampulha (às margens da lagoa homônima), projetada por ele e, à reboque, veio a lembrança de que a música "lindo lago do amor" foi composta para a lagoona, la na belo horizonte do meu coração.

os últimos dez anos de vida gonzaguinho morou lá, em curral d'el rey, casado com uma mineira.


beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

xá comigo, morgan.
retribuirei a visita.
grande abraço do
r.

Primeira Pessoa said...

euriquíssimo,
mal sabe você que, só depois que lhe conheci é que comecei a valer mais uns cinco euros pelos meus "direitos federativos".

falando nesta de quebrar gelos, lembrei-me de nós no dom tonho, rabiscando na lista das celebridades da casa, escrevendo a caneta o nome de zés ninguém. rs

acho que achavam que não tínhamos como pagar a conta...rs
tudo acabou bem.

ainda anteontem o peter me disse: qualquer dia vamos ligar pro teu amigo eurico e marcar uma ida ao dom tonho para comer aquele bacalhau.

eu disse pra ele: e aquela vitela. e aquela costela.
é so marcar, que eu topo. rs


abraço saudoso do
r.

Rejane Martins said...

obrigada pelo acolhimento, IMENSO Roberto,
um mais um é mais que dois, é mais que três, que um trio, né mesmo?
:)abração

Primeira Pessoa said...

um dia seremos um tantão, rejane.
escreve aí.

essa casa é sua.

beijão.
afeição do
r.

Adriana Barata said...

Roberto,

E o que escrever depois de ler-te?!
(juntamente com teus amigos poetas)

Sairiam apenas palavras mudas.


Vindo aqui, senti vergonha do meu casebre, de pau-a-pique, sendo visitado por tão nobre paladino.

Deslumbrei-me feito o interiorano que vê o mar ou uma cidade e suas luzes pela primeira vez.

Receba este comentário - fanhoso e gago - como um quase imperceptível cruzar de olhos, que rubra a face e faz suar as mãos.
Vi-me diante de um monstro. Assombroso talento.

E calo-me.

Parole said...

Deliciosa a forma como descreve o encontro.Foi muito corajoso da sua parte... mas eu sei muito pouco sobre ele além de algumas músicas e das brigas com o pai.Gostei muito de ler.

Fui ao encontro do "Adeus" de Eugénio de Andrade e posso dizer que foi uma grata surpresa a descoberta do poema.Obrigada pela dica.


Beijos, querido e bom fim de semana.


Sissym said...

Olá R, novo amigo que tambem gosta da cor azul! Obrigada por sua visita e comentario.

Eu aprecio as musicas de Gonzaguinha, ainda não assisti ao filme documentario. Acredito que vou gostar.

Interessante e muito emocionante estas suas impressões narradas neste texto delicioso. Imagino como foi tocante o momento que cantou parte da musica e ele a continuou.

Bjs

Primeira Pessoa said...


eu também não vi o filme, e pelo trailer já vi que vou me emocionar.
a vida é feita de encontros, todos eles grandiosos.
carrego meus amigos pela vida inteira.


seja mais que bem vinda, sissym.

abração do
r.

Primeira Pessoa said...

parole,
gonzaguinha foi um dos maiores compositores de sua geração.
cansado de ser amordaçado pela censura do governo militar daqueles tempos, encontrou uma maneira de driblá-la.
em muitas de suas canções a impressão que fica é a de que ele fala de uma mulher, quando na verdade está falando de um país.

mergulhe no universo de gonzaguinha.
você vai se surpreender.

abração do

r.

abraço grande do
roberto.

Primeira Pessoa said...

adriana,
sue blog é super bonito, transparente, limpo, como eu gostaria que fosse o primeira pessoa.

fico feliz que tenha gostado de estar aqui. agora que descobriu o caminho, seja-se entre meus.
a casa é sua.

grande abraço do

r.

Adriana Barata said...

Roberto,

Sinto-me tão 'em casa'
que desde ontem
(madrugada a dentro)
tenho percorrido os
mais 'empoeirados' (en)cantos
de sua casa-mansão...

Quantas relíquias.
Quantas imagens deu
à menina dos meus olhos
e que ficam a cirandar
feito coloridas memórias
pelos corredores da minha alma.

Memórias alheias
- fantasmas poéticos
que seu texto cria em mim.

Que lindo assombramento, Roberto.
Graças.

eurico portugal said...

nem de propósito, robertílimo, hoje o cardápio foi bacalhau e escusado será dizer que estava delicioso. por mim, é já amanhã, num qualquer dom tonho do país - incluindo a minha casa. bacalhau, francesinha, o que mais as excentricidades da gula nos recomendem. importante, mesmo, é verter todos os meses do calendário num novo novembro, e com urgência que as saudades também matam... devagarinho, mas matam. passa a palavra ao peter. cá vos esperamos.

abraço, meu querido amigo!

cirandeira said...

Quem imaginaria que aquele momento
se tornaria tão marcante em tua vida, né Roberto? E muito menos, que no futuro fosses transformá-lo numa crônica tão especial!
Ainda não conhecia essa canção do Gonzaguinha, tão bonita! Ví esse filme e gostei muito. A partir dele
passei a compreender melhor o porquê daquele ar de tristeza e de desamparo do Gonzaguinha. Ele era uma pessoa de personalide forte e
extremamente talentoso, gosto muito de suas composições.

um beijão

Primeira Pessoa said...

cirandeira,
a palavra desamparo é uma das palavras mais tristes que existem.
ela é mais triste que a palavra tristeza e traduz - de uma vez por todas - toda a fragilidade da alma humana.

quem tem amigos, quem tem família, quem dá e recebe amor nunca se sente desamparado.

o desamparo é o supra-sumo do abandono e da solidão.

beijo grande, cirandeira.

r.


ps: passei a manhã escutando petrucio maia, um musico daí do seu ceará.

Primeira Pessoa said...

eurico,
por mim, era já ontem.

pelas bandas de cá o cozinheiro resolveu fazer uma pasta com molho de tiras de carne com espaguete(os bifes finos cortados da mesma grossura do macarrão... com tomates, manjericão e creme de leite fresco, no finalzim)...

eu ainda não comi.
bebi duas cachacinhas, que aí no seu portugal chamam de mata-bicha... to esperando causa e efeito se abraçarem...rs

abração do roberto.

ps: por mim, era já ontem. tem que acontecer. ah, sim, meu amigo deve te ligar. ele embarca na terça-feira.

Primeira Pessoa said...

adriana,
fico feliz que esteja se sentindo em casa por aqui
o blog precisa de uma sacudida, uma melhorada no visual e material novo.
estamos trabalhando nisto.

abração do

r.

Bandys said...

Devorei seu texto e no meio do caminho não sei porque cargas d"agua achei que a musica fosse:Um Homem Também Chora (guerreiro Menino)enfim não conhecia essa e fiquei feliz de ser apresentada.

Li por aí que foi seu aniversario e desejo saúde e paz.Parabéns!

Abraços

Primeira Pessoa said...

bandy,
eu acho que caberia qualquer canção de Gonzaguinha naquela prosa da crônica.
lendo seu comentário me deu uma enorme vontade de escutar Guerreiro Menino.
é o que vou fazer agora.

e, sim, muito grato pelas palavras ao aniversariante, que entrou oficialmente na terceira idade.

grande abraço do

roberto.