Wednesday, February 2, 2011

Três Poemas de Antonio Machado
















Tomai atenção


Tomai atenção:
um coração solitário
não é um coração.



Todo o amor é fantasia

Todo o amor é fantasia
- ele inventa o ano, o dia,
a hora e a melodia;
inventa o amante e, mais,
a amada. Não prova nada,
contra o amor, que a amada
não existisse nunca.


A Música Que Toca sem Parar:
Joan Manuel Serrat musicou este poema de Antonio Machado... e o que era clássico da palavra escrita, passou a ser um clássico da palavra cantada: La Saeta.
Em 1981, Fagner foi à Espanha e gravou a canção em dois idiomas (português e espanhol), fazendo duetao com Serrat.



Disse uma voz popular
Quem me empresta uma escada
Para subir ao altar
Para tirar os cravos
De jesus, o nazareno

Oh! la saeta el cantar
Al cristo de los gitanos
Siempre con sangre en las manos
Siempre por desenclavar

Cantar del pueblo andaluz
Que todas las primaveras
Anda pediendo escaleras
Para subir a la cruz

Cantar de la tierra mia
Que hecha flores
As jesus de la agonia
Que es la fie mis mayores

Oh! no eres tu mi cantar
No puedo cantar ni quiero
A esse jesus del madero
Sino al que anduvo en la mar

.

30 comments:

Mirze Souza said...

ROBERTO!

Suas escolhas se aprimoram a cada dia.

Toda a razão do mundo nos dois poemas.

ADOREI: Todo o amor é fantasia
- ele inventa o ano, o dia,
a hora e a melodia;

EH EH! Esse é dos meus!

Beijos, rapaz !

Mirze

Ana SS said...

Lindo!

Todo amor é narcisista.

Namorada Girassol said...

Belo post,sublime leitura.

bjks sabor...bom vir aqui.

Assis Freitas said...

esse vinil de fagner quase furou na minha vitrola,

mundo, mundo vasto mundo
se eu me chamasse raimundo fagner


abração

Primeira Pessoa said...

antonio machado é fera, mirze. muito reverenciado na espanha, mãe de tantos poetas bons.

fico feliz que tenha gostado.
beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

ana,
será que seja, realmente, o amor, narcisista?

nunca havia visto por esse ângulo.

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

muito grato, moça do girassol.
essa casa é também sua.
pode descalçar os sapatos... abrir a geladeira... enfim...

é sua, a casa.


abração,
r.

Primeira Pessoa said...

asssis,
então fomos dois a arranhar o vinil (parece veadagem, né?).

anos mais tarde eu ficaria amigo de manassés (que tocou mais de 20 anos com RF) e ele me contou como foi fazer esse disco e estar no estúdio com paco de lucia, serrat, manzanita, camaraón de la isla (maior cantor de flamenco de todos os tempos...) e ver de parto rafael alberti recitando.

um luxo!

abração,
r.

Luiza Maciel Nogueira said...

escolhes a dedo consagrados poemas, poesias, músicas. É um prazer vir aqui.
beijos

Primeira Pessoa said...

luiza,
vejo poesia como os mesmos olhos que você vê.
deve ser isto.

abração do

roberto.

Roberta said...

É uma bela porta de entrada para a poesia de Antonio Machado. Desde já, quando tiver com um livro dele nas mãos, me considerarei bem-vinda, lá e cá.

Bjo,

Primeira Pessoa said...

Roberta,
existe muita coia avulsa de Machado espalhada pela net. Ele é um dos mais celebrados autores espanhóis.
Essa porta aberta da internet é muito mais que um paliativo para os descasos de nossas editoras.

abração do
R.

I Love Ski Jumping said...

Muito bom blog;)) Os melhores cumprimentos do polonês!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) said...

Delima,
Eu era fã de Antônio Machado e não me lembrava, como era fã de Roberto Mendes e descobri só bem depois, ele que passou despercebido pra mim no rol de compositores do disco em que Fagner, craque nisso, me apresentara o poeta Francisco Carvalho de O Bicho Homem (poema que contém uma das maiores indagações da raça humana).
E essa canção que você põe pra tocar cava fundo uma saudade em mim, desde o primeiro acorde até o último som a soar ao fim da música que não acaba nunca, ad eternum.
Saudade que Gonzaguinha explicou assim: um cheiro de falta alguém na gente.
Saudade docê, bicho. Duma resenha a geladas. Valadares inda é berço: descreça e apareça, poeta das crônicas lindas, cheínhas de cascalhos poéticos que vou garimpando com a bateia de minha mão. Qualquer hora viro Midas...
Pus o poema pro Brant lá no quintalzim de quimeras, quando der dê um pulo por lá.
Ó, e Santo Amaro é Vila do Feitiço: garanto o dinheiro de volta, em drobo...
Poesia? Fico todo bobo...

Abraço da Gevê de Bispo Filho e Marcos Aranha, da rama.

Primeira Pessoa said...

da rama,
eu vou a valadares em breve.
tenho sentido necessidade de ir a valadares. prometi ao ailton, ao bispo e ao marcius tulio... e agora prometo também a você.
vou a valadares ainda este ano e quero ficar pelo menosn uma semana na cidade.

quem sabe não me acho (ou um pedaço meu) numa esquina destas aí?

beijão,

r.

ps: ouvi muita música em sua casa, com seus irmãos.

Primeira Pessoa said...

polonês, mergulhe.
aqui, o buraco é fundo (rs).

é sério: seja mais que bem vindo.

abração do

roberto.

líria porto said...

!pérolas españolas! cheguei a pensar que eram versos de atrás os montes...

(ô eu macarrônica) no hablo, mas fecho com tuas escolhas... risos

besos

Primeira Pessoa said...

lírica,
espanhol e português se misturam, ibericamente, quero crer.
mas existem diferenças colossais.
existe um saara e uma sede, bem na fronteira.
e a água que divide dois mundos tão parecidos e tão diferentes é salgada.
muito salgada.

beijo grande do

r.

Jorge Pimenta said...

querido amigo,
conheço pouca gente cá pelas alamedas dos blogues que dê um contributo tão válido às letras como tu, seja em mão própria, seja na dos outros. admirável é o que se pode dizer de antónio machado e da sua escrita, este verdadeiro almocreve da palavra. o primeiro texto é de uma verosimilhança quase carnal; arrepia só de pensar que o coração respira daquela forma.
um abraço!
p.s. o nosso benfica lá foi ao dragão (ou "ladrão", como os mais atrevidos ousam chamar) espetar duas batatas ao porto, na 1ª mão das meias finais da taça de portugal, hihihi. e sem david luiz, que já é do chelsea de ramires :(.
um abraço desde bracara sem romanos mas com um frio legionário.

Primeira Pessoa said...

jorgíssimo,
gosto desta brincadeira... e cê sabe... isso de garimpar palavras é comigo mesmo. e compartilhar, é da minha natureza. não quero ser feliz. daí, dividir, como quem divide um pedaço de pão.
esses caras do chelsea não são tolos, eles estão investindo em jovens estrelas... é a força do petro-euro... uma pena...
e nós, adeptos, que nos lixemos...

frio? vem passar uns dias aqui no "ártico"...rs

abração do
roberto.

Zélia Guardiano said...

Ah, Roberto, quanta lindeza!
Dose de choque, muito indicada no meu caso...
Demais, meu querido!
Abraço apertado.

Primeira Pessoa said...

zélia,
cheguei a oensar que ce tinha me abandonado.
sem você, esse blog fica sem a menor graça.
é sério!

abração do

roberto.

Paulo Jorge Dumaresq said...

Poemas supimpas, Bob.
Você, vira e mexe, nos brinda com poetas,como esse Antonio Machado, e poemas da mais alta estirpe.
Sempre prazeroso conjugar verbo na Primeira Pessoa.
Forte abraço e brindemos a alegria de viver.

Primeira Pessoa said...

pj,
para bom entendedor, meia palavra é meia palavra.
e sei que cê entende do riscado, tem um bom gosto tremendo, é sensível, sente a poesia como deve ser sentida.

um dia destes apareço aí em natal e vamos a bardalo's acabar com o estoque de pinga da boa.

bora lá?

abração do

roberto.

Luciana Marinho said...

quanto menos realista mais me envolve na realidade.

tão poucos versos e tão grande poesia!

beijoca, roberto!!

Primeira Pessoa said...

tão grande calibre e quão profundo, o seu comentário, luciana.

antonio machado ficaria feliz.

beijoca,
r.

Paulo Jorge Dumaresq said...

Fechado, Bob.
Quando vier a Natal iremos ao Bardallo's e a outros bares da Ponta Negra.
Fortíssimo abraço.

Primeira Pessoa said...

paulo poeta,
fui a natal faz muito tempo. proce ter uma idéia de quanto tempo tem isso, os reis magos ainda eram príncipes e o forte que lhes tem o nome, ainda era fraquinho, fraquinho...rs
lembro-me que fui a uma choperia (chaplin) e tinham colocado, num telão, um show da Sade. e eu fiquei tomando chope a assistindo o show inteirinho, no meio de um barulho infernal.
mas foi uma bela viagem.
quando nos virmos aí, natal nunca mais será a mesma.
pode escrever num poema. rs

abração afetuoso do

r.

Marcantonio said...

Ele tinha, certamente, um coração.

Abraço.

Primeira Pessoa said...

e, certamente, habitado, marquinho.

quem escreve um poema desse não deve ser alguém que caminhe sozinho.

como diria tavares dias, o homem, quando é sozinho, até o rastro dele na areia é feio.

beijão,
r.