Friday, November 2, 2012


Luan Santana,
não venha a Newark


Eu não sei se você virá a Newark, Luan Santana.
Não sei se lerá este desabafo em forma de crônica.
Batuco estas mal traçadas no teclado do computador e me recordo que ainda ontem vi um cartaz com a sua bonita figura, e que seu charme de estrela da canção iluminava um poste.
O cartaz resistiu ao furacão Sandy, mas não sei se você passará incólume ao desapontamento de milhares de conterrâneos seus.
Eu não sei se a sua produção permitirá sua vinda a esta cidade que você, indiretamente, desmereceu e ofendeu durante participação no programa da Eliana, há não muito tempo.
Você poderá ser vaiado e não deveria haver para nenhum artista, castigo maior do que uma vaia.
E você merece ser vaiado em Newark, Luan.
Nós não somos menores ou piores do que nenhuma outra plateia para a qual já tenha se apresentado na vida.
Não somos cidadãos de segunda classe.
Não somos audiência de terceira.
Somos tão brasileiros quanto você, e muitos de nós desejaram estar na sua companhia durante um espetáculo seu.
É óbvio que você tem o direito, como artista e cidadão de ir aonde bem entender.
Que você tem o direito de sonhar com uma plateia americana gritando o seu nome e cantando de cor as suas canções.
Que você tenha na plateia moças louras, saxônicas, se descabelando por você, menino bonito nascido no centro-oeste do Brasil, que é.
Que elas cantem na língua de Camões - com sotaque e tudo -, cada uma de suas canções mais tocadas nas rádios.
É lógico que você tem a liberdade de sonhar com os letreiros luminosos do Madison Square Garden, como um dia teve Ivete Sangalo, num momento de ilusão e glória.
Que você queira encantar os americanos como um dia encantou Tom Jobim, fazendo dueto com Frank Sinatra no templo sagrado do Carnegie Hall.
Mas não é isto o que você tem aqui nos Estados Unidos, Luan Santana. Ainda não. Sejamos lúcidos.
As suas canções não tocam nas rádios daqui.
Por mais audiência que tenha quando vai ao Mais Você, de Ana Maria Braga, ainda não o vimos com Matt Lauer, no Today Show.
Você foi quantas vez quis ao programa da Eliana, mas não existe registro de uma única passagem sua pelos seriados destinados aos adolescentes deste país, estes que primam por ter sempre uma jovem estrela da música pop na lista de convidados.
Aqui nos Estados Unidos você tem palcos acanhados, mas honestos.
Palcos menores aos seus olhos, mas que um dia foram dignificados por artistas da MPB como Djavan, Elba Ramalho e Gilberto Gil.
Por sambistas como Jair Rodrigues, Beth Carvalho e Jorge Aragão.
Por sertanejos de outra geração como Pena Branca & Xavantinho e Chitãozinho & Xororó.
Ou contemporâneos seus como Victor & Léo ou Gusttavo Lima.
Que fique claro: eu não falo em nome de ninguém.
Falo em meu nome, como imigrante brasileiro que eu sou.
E nesta condição quero lhe informar de que estou cansados de discriminação.
Que estou cansado de ser desprestigiado, preterido, colocado de lado pelo poder público deste país.
Nós –  e aqui falo por uma legião -  já somos humilhados cotidianamente e a maior parte de nós é chamada de “ilegal”, quando somos, na verdade, trabalhadores honestos e que, neste momento da história estamos sendo desvalorizados e perseguidos por não termos nascido aqui.
Portanto, ser esnobado por um compatriota meu, que vê na minha comunidade um público desimportante e menor, ofende e entristece.
Fique no Brasil, Luan Santana. Você não precisa de nós.
E nem nós de você.





16 comments:

VILMA PIVA said...

Olá, amigo, eu estou conhecendo seu blog de crônicas e gostei muito da autenticidade que encontrei aqui. Bravissimo! É um prazer te ler!Obrigada pela sua visita ao meu blog. Te sigo! Beijos!!

Kellen Bittencourt said...

Arrasou amigo, gostei demais do desabafo, artista que é artista de verdade, reconhece o valor do seu publico em qualquer lugar do mundo, sejam muitos ou poucos não importa, tomara que ele não vá mesmo a NY e se for merece a vaia! Abraçosss

Walkyria said...

Gostaria sinceramente que tudo fosse apenas um mal entendido.
Porém, se for assim mesmo, não se preocupe ele é novo e ainda aprende.
Feliz com sua visita ao meu blog, e parabéns pelo seu.
Carinhoso abraço.

Tania regina Contreiras said...

Muito bem, Beto. Desejo que de algum modo tua escrita chegue a ele.

Beijos,

Mariangela Alvarez said...

Primeiro... Roberto... saudades das tuas crônicas
Segundo: Grande desabafo!
terceiro: Quem é Luan Santana no Rock?

Beijoka

Da Mary

Primeira Pessoa said...

mariângela, querida... saudades enormes de você. qualquer dia destes ao volto ao FB. estou me reestruturando pra isto.
quero aprender a usar o face.

falando da crônica: pois é... quem é???

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

Chegou, Taninha.
Saiba que chegou.

Depois conversamos bonitinho e eu te conto tudo, tintim por tintim.

saudades de você.

beijos,

r.

Primeira Pessoa said...

voltarei por lá, walkyria... voltarei.
palavra de escoteiro.

beijão do

roberto.

ps: não houve mal-entendido. houve arrogância, descaso, desrespeito, ausência de carinho e tato.
terá aprendido?

Primeira Pessoa said...

Ele veio, Kellen...Ele veio...
tão ruim quanto a vaia, é a ausência do público...
Quem é do ramo diz que esta pode doer mais.

beijão,
r.

Primeira Pessoa said...

vilma,
use e abuse.
é um barraquinho, mas faça do blog a sua casa.
venha sempre que quiser.
beijão do

r.

cirandeira said...

Que coisa! ein, Roberto, nunca tinha ouvido falar desse cara! Assim ele vai acabar sendo "conhecido" >º))

um beijo

mariangela alvarez said...

uai Roberto...pára de jogar fazendinha...rss !
e vem escutar boa música! Vc, é muito querido por todos aqui no Brasil ! Fita isolante molha com água... ! A turma é boa e animada! Beijoka

Primeira Pessoa said...

eu te apresento, cirandeira...
é grande amigo meu...rs

abração,

r.

Primeira Pessoa said...

mariângela,
que toma "roquenrô" nas veias, todas as manhãs.
da próxima vez que for ao brasil, vou a sampa e reunimos a turma toda para uma folia.
vamos acabar com a cachaça da cidade, ou ela acaba com "nóis"...

beijão,
r.

Dario B. said...

Pois é, Roberto, eu uso sempre nessas ocasiões uma comparação um tanto escatológica que não vou reproduzir aqui, claro, mas me veio imediatamente a lembrança. A verdade é as vezes damos importancia demais a quem não merece nenhuma. E esse é um caso, só mais um bonitinho que amanhã estará esquecido.

Primeira Pessoa said...

dario,
e eu que pensava que rapazes bonitos éramos nós, você e eu.

saudades de você, amigo querido.