Wednesday, April 28, 2010

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"Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?

Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.

São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua."


Eugénio de Andrade




A Música Que Toca Sem Parar:
Beto Guedes, dele e de Ronaldo Bastos, Sal da Terra.

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Bem que tá na hora de arrumar...

Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver...

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da...

Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã

Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra

24 comments:

VASCODAGAMA said...

Gostei e vou voltar

Beijo

Magnolia said...

Ninguem como o Eugenio tem essa intimidade com as palavras....
Beijo Roberto

Júlio Castellain said...

...
Bela combinação, camarada Roberto.
Abraços.
...

Primeira Pessoa said...

apareça sempre, vasco da gama!

é um prazer ler-te por aqui.

abração do
R.

Primeira Pessoa said...

eugénio,
cada vez mais apropriado.

virou meu livro de cabeceira.

abs,
R.

Primeira Pessoa said...

uai, julio...
quem sou eu pra discutir com você, bamba da sensibilidade.

abração do
roberto.

Sil.. said...

Meu querido, primeiro obrigada pela sua visita no meu blog. Adorei, aliás, adoro essa interação com as pessoas (Tão raro isso hj num mundo em que mal as pessoas se cumprimentam).
Segundo, vim retribuir, e já chego aqui encantadaaaaaaa ao ver esse escrito do Eugénio, ando relaxada nas minhas leituras (tempo rs), mas cheguei a dar uma espiada em Limiar dos pássaros dele, e me encantei. Paixão ou amor a primeira vista. E outra:
Deus meu, dar de cara com "Sal da Terra", do meu amdooooo Beto Guedes...ahhh, já me apaixonei pelo seu blog rs. Bom gosto o seu, parabéns mesmo. Curtia muito o Beto. Lô Borges nos meus 16, 17 anos, diferente das outras pessoas da época que curtiam um rock pesado (nada contra), mas nunca foi a minha praia. Sou e sempre serei adepta de uma boa MPB.
Enfins, adorei aqui. Voltarei.
Um abraço com algo do Eugénio que gosto muito:


"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos".

Grande verdade!
Abração!!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) said...

Delima,
Eugênio (que conheci por suas mãos lá no BV) e Sal da Terra: sais e sóis da alma...

Abração, poeta:
Darrama.

Tânia regina Contreiras said...

Ah, esse Eugénio que era vossa e que agora é também minha paixão!!!! rsrs

Combinação pra lá de boa, que o Beto é camarada antigo!

Abraços, Roberto.

Assis Freitas said...

Coisas simples bem possíveis estão se perdendo, ou já se perderam. O visgo, o musgo das pessoas é preciso redescobrir. Bela junção de terra e casa, e o sal a nos permear. abraço

Geraldo de Barros said...

Gostei muito da postagem, belos sentidos e reflexões ;)

Um abraço meu caro,
Geraldo.

Jorge Pimenta said...

Ao ler o primeiro texto de Eugénio de Andrade que aqui postaste, não resisti a convocar um outro, da Ana Salomé, que acaba de ser publicado numa edição comemorativa do Dia Mundial da Poesia, reunindo textos de diferentes autores. Partilho-o agora contigo, querido Amigo:

Comecei a fumar para te pedir lume.
Para arranjar um motivo. Para.
Tens lume? Perguntei-te.
Sim. Disseste. Levaste a mão ao bolso.
Engatilhaste o zippo. Todo prateado.
Abeiraste-te e fizeste concha com a mão direita.
Eras canhoto, como o coração.
Agora. Disseste.
E levei o cigarro até à chama.
Já está. E sorriste.
Importas-te que te acompanhe? Perguntaste.
Não, claro que não. Claro que não.
Está frio. Disseste. E esfregaste as mãos.
O cigarro sempre aquece.
Sim. Tossi.
Estás bem? Perguntaste.
Estou muito bem.
Óptimo. Disseste. E sorriste.
Aquele café além é acolhedor. Não tomas nada?
Um chá fazia bem à tosse. Perguntaste. E disseste.
Sim, um chá calhava bem. Estava mesmo a apetecer-me.
Parece que adivinhei. Disseste. E aí sorri eu.
Tomámos chá e de imediato fizemos planos de vida
Que correram mal, imediatamente mal.


Comecei a fumar para te pedir lume.
Para passar o frio.
Descobri que não viria a morrer
Nem de cancro pulmonar, nem de amor,
mas da própria morte, mal o lume se apagou
e o café fechou as portas. Para sempre.

Ana Salomé → via O Cicio de Salomé, 21 de Janeiro de 2009

Um abraço!

Primeira Pessoa said...

Jorge,
eu conhecia este poema. tenho lido ana salomé por aí, jovem poetisa portuguesa de grande talento (se não me engano ela tem um blog devotado à obra de al berto... acertei?).

cheguei a escrever a escrever-lhe um email, que deve ter se perdido no torvelinho onde se perdem os emails de tantos outros fãs de sua poesia.

escreve bem esta moça. e este poema é foda.
lindo.

se me permitir, gostaria de postar este poema (me consegue uma foto da moça para postar junto? rs) ao lado dos al bertos, eugénios e drummonds desta vida.
ela não é uma poeta de futuro.
ela é o presente da poesia.

ah, desta nova geração de portugueses gosto muito do sergio xarepe, que muitos acusam de sofrer demasiado influencia de al berto.

e os trovante?
tô numa agonia, rapaz.

abração do
roberto.

Primeira Pessoa said...

obrigado, geraldo.
seja sempre bem vindo ao blog, este canto onde amigos se sentam pra compartilhar palavras e canções.

abração do
roberto.

Primeira Pessoa said...

assis,
cê escreve bonitinho demais.
o visgo, o musgo... musicalmente bonito.

reflexão bacana do momento do mundo em que vivemos.

antes que me esqueça: cê é parte fundamental (junto com outros amigos queridos) deste blog aqui.

abração do
roberto.

Primeira Pessoa said...

tânia,
a poesia de eugénio é tão grande, que dá pra compartilhar com o mundo inteiro (rs).

que bom que o fã-clube de eugénio de andrade aumentou.

que ótimo!

Primeira Pessoa said...

sil,
postei este poema do eugénio (este que cê mandou... o deste fragmento) aqui no blog.

sou fã do cara. mais que fã do cara.
aprendendo muito nas palavras dele.

seja bem vinda ao blog. e, sim, o grande barato aqui é essa interação, este cordão que só vem crescendo... esta troca de afeto e palavras...

venha sempre:
meu blog, seu blog.

abração do
roberto.

Primeira Pessoa said...

da rama se derrama pra eugénio.
isto é poesia.

beijão, ramúcio!

Lídia Borges said...

O Sal da vida, a poesia,
é só um perfume,
uma melodia,
uma leve aragem
no final de um dia
que nos dá coragem
nos dá alegria!

Assim são estes dois textos verdadeiramente deliciosos!

L.B.

Jorge Pimenta said...

Amigo Roberto,
Será para mim (e estou seguro de que para a Ana Salomé, também) um privilégio que venhas a postar um texto seu. É, para além de uma amiga muito querida, alguém que se inscreve, já, na minha opinião, no curto elenco dos excelentes poetas portugueses desta nova geração. Entretanto, mandei-te para o mail duas fotos suas. Voltarei para ver o post.
Um abraço!
Jorge

P.S. Ainda não perdi a esperança de Trovantear, a 22 de Maio :)

LauraAlberto said...

A ligação perfeita!
Beijos,
Laura

Primeira Pessoa said...

lídia,
ainda bem que estamos aqui para temperar nossas vidas com o sal da palavra, né?

abraçào do
r.

Primeira Pessoa said...

jorge bracarense,
já postei o poema... e somente hoje vi seu post, aqui... mil perdões pór só agora ter respondido.

ficou lindo o poema da ana salomé, aqui no nosso cantinho, poeta!

abraço grande do
roberto.

Primeira Pessoa said...

laura,
ligação mais que perfeita, sim.
escrita a sal!