Friday, February 5, 2010

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Versos Íntimos


(Augusto dos Anjos)


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


* A postagem deste poema é uma homenagem, à minha maneira, a Romério Rômulo, a quem vi atravessando a praça na manhã-tarde da última segunda-feira.
Ali, em Ouro Preto, o poeta subvertia a ordem das coisas.
Sim, foi assim mesmo: sua cabeleira esvoaçava o vento.
e não o contrário.
beijão, poeta!

4 comments:

romério rômulo said...

roberto:
obrigado pelo augusto em homenagem.
a minha cabeleira é a minha fúria.
beijo retribuido.
romério

Assis Freitas said...

Lendo Versos íntimos e ouvindo Abel Silva (canção de crioulos). Vou continuar. Abraço.

Primeira Pessoa said...

romério,
cabeleira furiosa balançando o vento que vinha da barriga da montanha.
te vi. (rs)
às vezes vejo coisas.
sim, ouro preto é uma cidade estranha.
carinho e admiração do
roberto.

Primeira Pessoa said...

Assis,
vou tentar postar, aos pouquinhos, os poemas mais emblemáticos da literatura brasileira. Se puder, ajude-me.
Abração,
Roberto.