Thursday, March 4, 2010

A Música Que Toca Sem Parar

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Panorama Ecológico
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Voz: Erasmo Carlos


Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas
Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos


Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras
Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados


Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas
Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes

13 comments:

Mai said...

Interessante, assistindo uma entrevista com Erasmo, me surpreendí com o repertório autoral tão vasto. Gostava desta e de muitas outras.

Primeira Pessoa said...

mai,
sou obrigado a confessar que, durante muito tempo, tive preconceito contra erasmo e roberto.
os caras falavam de ecologia muito antes do greenpeace existir (creio eu...rs)...
e é melhor eu nem me alongar muito, senão faço um discurso...
abração do roberto.

Assis Freitas said...

Cara essa música é uma das mais bonitas do Tremendão. Tem uma melodia rebuscada e uma harmonia bem complexa. O arranjo é um primor, alternando frases fortes de percussão com sutilezas de um pianíssimo. Acho que é um grito do Erasmo dizendo: porra eu sei fazer qualquer tipo de música. Mas o Roberto me escolheu como parceiro e disso não abro mão. Tem um disco do Antonio Adolfo com uma parceria com Erasmo que é demais, o Erasmo canta no disco. Abraço.

Reflexo d Alma said...

Nunca tive preconceito,
pois a letra sempre acaba me ganhando.
Tenho visto meu filho de 22 anos
tocar e cantar musica de Roberto ou de Erasmo
e elogiar.
Adoro pois não há fronteiras para o que é bom.
Confesso que não gosto da melodia sempre,
mas a letra
sempre
e sempre!

Ah segui com a pro vo ca ção
lá no blog


Bjins entre sonhos e delírios

Primeira Pessoa said...

assis,
não era cool gostar de roberto carlos. cê sabe disso. principalmente os RAPAZES "engajados" da nossa geração, que ignoraram a existência Jovem Guarda.
acho que os mais atentos acabaram mudando de idéia. e os mais inteligentes (aqueles que sacaram desde o início o valor da dupla) sempre souberam da grandeza de R & E.
Adoro essa canção que postei aqui (feita num tempo que ninguém falava de aquecimento global, ecologia, proteção aos anomais)e mais uma dúzia delas. E acho Sentado à Beira do Caminho uma lugar mal situado dentro da minha infância. Lembro que escutava no rádio, meninininho, e me baixava um banzo, um abandono... que putaquepariu...rs

conheço bem o antonio adolfo (ele vive aqui nos eua e tem escolas de música no rio e miami). de vez em quando trombamos por aí. vou pedir pra ele me descolar o mp3 dessa parceria com o tremendão.

bom te ler aqui, logo de manhã.

abs,

r.

Primeira Pessoa said...

cátia,
seu filho é sensível. e inteligente.
ponto pra ele.

vou passar lá no seu blog pra ver a continuação do texto que, mais do que uma provocação é uma convocação.


grande abraço do

roberto.

líria porto said...

houve um tempo em que eu gostava do programa da elis e assistia a jovem guarda - pendia para a primeira, mas não desprezava o iê-iê-iê... depois gostei mesmo do chico, do caetano, do gil, da bossa-nova - e a turma do roberto ficou pra trás...

hoje, para mim, recuperaram terreno - posso escolher ouvir uns e outros, a bethânia canta lindamente o roberto carlos! sem falar da velhíssima guarda maravilhosa da música brasileira! santo noel, por exemplo!

besos

líria porto said...

ah, eu achava uma grarcinha "o meu caderninho", cantada pelo tremendão!

besosssssss

Primeira Pessoa said...

lírica,
tá ficando a impressão de que sou "apaixonado" pelo "tremendão", mas não é bem assim... gosto muito de algumas coisas dele... e não presto atenção em muita coisa que ele fez, por preguiça mesmo...
mas, confesso, depois de "velho" to me permitindo mudar de idéia com relação a alguns nomes da música brasileira. tem outros que não consigo engolir nem com água benta.

no geral, o brasil é um país sem memória. o que é de se lamentar. putz, cartola lavava carros (uma espécie de pré- flanelinha) nas ruas do Rio, até ganhar uma "segunda chance.

johnnie alf (que pediu a conta ontem) seria quase um deus da canção popular, tivesse ele nascido nos EUA, por exemplo.

tomara que nossa memória curta nos permita esquecer a axé music, o sambrega e o breganejo.
quero viver o bastante pra sentir na pele (e nos tímpanos) esse "esquecimento".

beijão procê.

R.

Jorge Pimenta said...

Roberto, lembro de, ainda menino, ler "Poema Ecológico", de Júlio Roberto. Mais tarde, como professor, cheguei a usá-lo para uns quantos trabalhos de representação e escrita extensiva. Nunca mais li nada dele...
Agradeço-te por, em certo sentido, mo teres trazido na volta do tempo.

Um abraço lusitano!

Primeira Pessoa said...

jorge, você tem esse poema ainda?
se tiver, manda pra mim.
minha curiosidade foi atiçada.

abração do
roberto.

Jorge Pimenta said...

Claro que tenho, Roberto. Deve andar por aí no meio das papeladas que o tempo foi guardando entre as mãos. Envio-to assim que o convença a devolver-mo.

Um abraço!

líria porto said...

oi, beto
hoje ouvi no rádio (eu gosto de rádio!) uma crônica do luís fernando veríssimo sobre as drogas - as musicais!! se encontrá-la te envio!

"as rosas não falam..." tem coisa mais bonita???

besos!