Friday, January 15, 2010















Um coração de sangue


Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão

Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença

Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás-

Peço um coração
Nuclear


Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998

24 comments:

ALUISIO CAVALCANTE JR said...

Caro amigo.

Penso que podemos suportar qualquer perda na vida,
menos a perda dos sentimentos que dão sentido ao pulsar do coração.

Parabéns pelo blog.

Primeira Pessoa said...

Aluisio, honra-me a sua presença entre os meus.
Sinta-se em casa.
Abraço de admiração do
Roberto.

Lara Amaral said...

Muito bom o poema escolhido!

Beijos!

Primeira Pessoa said...

Você conhecia as coisas do Daniel Faria, Lara?
Ele é um desses anjos breves... Ficou pouco tempo entre nós.
Gosto demais das coisas dele.
Abração do
Roberto.

Assis Freitas said...

"Busquemos apenas
As palavras repetidas
As gaivotas mais altas
Mais perdidas"

Outros versos d'além mar. Abraço.

Primeira Pessoa said...

rapaz, acho que cê nasceu, noutros tempos, n'além mar.

vou te mandar umas cantigas portuguesas, se me permitir.
ma manda seu email?
abração,
roberto.

Dois Rios said...

Oi, Primeira Pessoa, rss...

Não conheço Daniel Faria (poeta nunca morre) mas, pelo que versa(va), fará falta.

Coração? Falta um. Faltam muitos. Mas não nuclear. Talvez um coração de criança ao colo ou quem sabe de sangue... para ferver, pulsar, amolecer, enternecer, humanizar.... ou padecer.

Beijos,
Inês

Primeira Pessoa said...

primeira pessoa? rs
ah, bela inês... to bem mais pra derradeira pessoa...
primeira pessoa é o nome de uma coluna que assino há 22 anos num jornal pra brasileiros, aqui nos eua... que é o que paga minhas contas e me garante o pão de queijo de cada dia...
soa arrogante?

se sim, peço desculpas... de coração...
coração de pouca maldade, que se diga...

abração,
R.

Dois Rios said...

Meu dileto amigo Roberto,

O que soa arrogante é não ter grana pra garantir o pão de queijo de cada dia e sair por aí arrotando croissant,rss..

A propósito, não sabia que a sua base é "aí" nos EEUU. Fiquei surpresa!

Beijos,
I.

gentil carioca said...

Não conheço Daniel Faria.
Vou assuntar.
bj+thanks

Primeira Pessoa said...

assunte...
será uma surpresa mais que grata.
garanto.
como diria aquele argentino,
"la garantia soy yo..."... rs
abração mais pra bagdá que pra paquetá, do
roberto.

Primeira Pessoa said...

juro, inês...
nunca comi couve e arrotei leitãozim à pururuca...
pode perguntar pra quem quiser...

sou rasteirinho... e, sim, moro em new jersey, capital mundial de frank sinatra (rs), desde 1984.
é aqui que dou expediente. é aqui que pelejo.
é daqui que sinto saudades de são raimundo, interior do interior do brasil...

abração sempre amigo, do roberto.

líria porto said...

primeiro que tudo - eu ia, eu voo! risos

agora, o daniel - esse anjo já voou em meu redor, olhei sua foto e senti! conheci seus versos ( ou reconheci?) nesta tua postagem - credo, parece que bebo!

em homenagem ao daniel, esse poema antigo:

das cicatrizes seculares
líria porto

um dia pequeno partiste eu fiquei
restou-se-me a culpa estrago sem jeito
saí pelas ruas de olhos sem ver
prendessem-me matassem-me
arrancassem-me os seios

chorei como a chuva do mês de dezembro

virei enxurrada poça d'água represa
secou-se-me o leite a vida ruiu
uma cunha partiu minha alma o espelho
morri reencarnei e ainda padeço
são mil estilhaços com teus olhos dentro

*

besos

Iara na Janela said...

tenho coração de moça do interior, vivo sempre arrebatada, em delírio, promessas que não se cumprem incorporam um jeito meio esquisito dentro de mim.

mas quando aqui chego, anatomia fica louca, toda toda coração.

beijos e mais beijos.

Primeira Pessoa said...

líria,
eu bebo.
rs.

lindo, o poema.
pois bem.
vou te mandar uma música cantada pelo mateus sartori (um menino do interior de sp), contando a estória de uma mãe que perdeu o filho pras aguas de um rio.

e a gente vai proseando.

beijão,
roberto.

Primeira Pessoa said...

ah, Iara, que bonitim evocar maiakoviski.
como quem evoca o santo nome de um santo, isso, na poesia, jamais é em vão.

esses russos são pedreira.
duros, mas doces.
quando são doces (rs).

e esse seu coração interiorano...
sei o que é isso... tenho um:
modelo 1962, em razoável estado de conservação...
aliás, deveria ser lei federal, sancionada pelo lula:
- poeta deveria ter dois corações. duocórdios (é isso mesmo? é assim que se escreve isto?)...
e um coração seria só pra sofrer...
sairia bem mais barato pra nós.

mandamos pra brasília?

abraço unicordiano (pelo menos por enquanto) do
roberto.

Assis Freitas said...

O meu e-mail é dumassis@ig.com.br. mande-me um endereço ou caixa postal para que eu possa te enviar o Ulisses no supermercado. Será um prazer. Abraço.

Meg said...

Caro PP

Vim conferir o seu blog e... surpresa das surpresas! Daniel Faria aqui!
Um grande e breve poeta que tão cedo nos deixou mas que, mais uma vez confirmo, deixou marca indelével.
Bem haja por divulgar um dos nossos poetas mais queridos.
Voltarei, sem dúvida!

Um abraço

Magnolia said...

Que bom ver por aqui o Daniel...já sabes que eu gosto
Beijo

Primeira Pessoa said...

Meg,
breve, mas eterno, o Daniel Faria.
gosto muito das coisas dele.
fico feliz que tenha vindo a este espaço. e mais feliz ainda porque vai voltar.
obrigado pelas palavras gentís.
Roberto.

Primeira Pessoa said...

magnólia,
o daniel é maravilhoso, né?
seu blog tem umas coisas dela, escolhidas com muito esmero.
te felicito pelo bom gosto, pela sensibilidade.
um bom final de semana pra você aí em terras de florbela espanca.
abração,
roberto.

Primeira Pessoa said...

assis,
deixa comigo.
mando procê uns pastéis de belém uns bolinhos de bacalhau, um bom porto... uma sagres bem geladinha...
me aguarde.
ah, sim, meu endereço segue junto.
abração do
roberto.

Lara Amaral said...

Não conhecia, não.

Bom conhecer várias coisas por aqui. Os poemas do português Al Berto tbm são novas delícias para mim.

Beijos.

Primeira Pessoa said...

Larinha,
tem uma turma da pesada na história recente, lá na santa terrinha, que é de brilhante.
Vou até palpitar uma coisa: dado o tamanho do Brasil e as geniais gerações de grandes escritores brasileiros nascidos até o segundo terço do século passado, que tivemos, ficamos carecendo de uma renovação à altura.
acho que a internet e a blogosfera poderá mudar esse quadro, abrindo, mais que uma porta, um mundo de novas possibilidades.
mas que não vire uma coisa de grife, entendeu? infelizmente, tudo vira brandname...
e esse papo ta ficando cabeça demais.
vou lá fora fumar unzinho. e pensar.

beijão
Roberto.